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	<title>Paralaxe</title>
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	<description>psicopatas não mudam de opinião</description>
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		<title>Descontrole</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 23:40:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Umbigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ah, tem o descontrole. Uma tragédia. Não há nada pior do que esse sentimento de perder as rédeas, de não se sentir no processo. Nesses momentos, a hipocrisia vai para o espaço, involuntariamente. Somos nós mesmos ali, na crueza da realidade, sem maquiagem, sem retoques. Sozinhos, em nossa versão menos light, menos palatável, totalmente alheios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, tem o descontrole. Uma tragédia. Não há nada pior do que esse sentimento de perder as rédeas, de não se sentir no <em>processo</em>. Nesses momentos, a hipocrisia vai para o espaço, involuntariamente. Somos nós mesmos ali, na crueza da realidade, sem maquiagem, sem retoques. Sozinhos, em nossa versão menos light, menos palatável, totalmente alheios aos embrulhos cuidadosamente preparados para agradar os outros &#8211; seja nos gestos, nas ações ou nos falsos sorrisos. Somos perversos por natureza. Por mais bonzinhos que queremos ser, mais cedo ou mais tarde nosso descontrole nos desmascara. E aí ficamos no centro da sala, sozinhos, acompanhados apenas da nossa estultície. Estultície que insistimos matreiramente em escondê-la. Em vão, obviamente.</p>
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		<title>Um dia de fúria</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Dec 2011 01:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rascunho]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, de nada adianta<br />
Chorar a pedra derramada<br />
Ou o leite atirado<br />
Porque a pedra feriu<br />
E o leite talhou.</p>
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		<title>Umbiguianas, I</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 20:21:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Umbigo]]></category>

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		<description><![CDATA[I. Passaram-se mais de trinta anos. Pouca certeza, pouca tranquilidade, e acima de tudo, pouco dinheiro. Definitivamente, não era esse o sonho. Porque isso é pesadelo. II. Descubro que não tenho nada em mim bom o suficiente para, narcisisticamente, me orgulhar. Não jogo bem futebol, não dirijo bem, não gosto de cachorro. Sequer sei contar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>I.</p>
<p>Passaram-se mais de trinta anos. Pouca certeza, pouca tranquilidade, e acima de tudo, pouco dinheiro. Definitivamente, não era esse o sonho. Porque isso é pesadelo.</p>
<p>II.</p>
<p>Descubro que não tenho nada em mim bom o suficiente para, narcisisticamente, me orgulhar. Não jogo bem futebol, não dirijo bem, não gosto de cachorro. Sequer sei contar boas piadas. Até estudar &#8211; que sempre contei vantagem sobre isso &#8211; anda me pregando peças. É, é minha memória. Esqueci o autor d&#8217;O Ateneu, uma boa metáfora do elevador do Zizek, provas na cantina, responder um importante e-mail, e etc. Do último livro que li, Plataforma, só lembro pequenos fragmentos, o suficiente para qualquer um duvidar do fato de que, sim, eu li o livro. E isso porque não faz nem dois meses que fechei o livro pela última vez.</p>
<p>III.</p>
<p>Morei numa pequena cidade no interior do Brasil que orgulhosamente se apresenta como a capital da amizade. Brincava com isso, porque achava que a amizade correu léguas da cidade. Uma bobagem. Porque, afinal, a comparação que fazia era com a cidade natal, farta de parentes e sobrando amigos de infância, da faculdade, da igreja. Uma rápida visita, depois de mais de três anos da mudança para Brasília, me fez rever conceitos. Lá, sim, é a capital da amizade.</p>
<p>IV.</p>
<p>Essa relação urbana da proximidade física e, ao mesmo tempo, estranhamento, mostra que a raça humana não tem jeito mesmo. Pior ainda é chamar bons modos de &#8220;urbanidade&#8221;. Quem já visitou propriedades rurais sabe do que falo. Não há povo mais carinhoso e receptivo do que os &#8216;campesinos&#8217;. As habitações esparsas fazem com que os vizinhos pouco se vêem. E quando isso acontece, é motivo de festa. Já meus vizinhos não têm sequer o hábito de se cumprimentarem. Sofremos de excesso de proximidade, é isso? Quer dizer que quanto mais próximo, mais distante? Quanto maior a possibilidade de relacionamentos, pior? Quanto mais posso ser humano, dentro de todas as magníficas possibilidades do relacionamento entre pessoas, mais eu me nego enquanto tal?</p>
<p>V.</p>
<p>Datena vocifera na TV. Sangue escorre pelo aparelho. Quero descanso. Quero paz. Deixa eu ir ali assistir Dexter. Porque na ficção tudo é sempre melhor do que na realidade.</p>
<p>VI.</p>
<p>Sem desanimar do blog, porque, afinal, continua ainda sendo mais barato do que pagar terapeuta.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Greve nos Institutos Federais</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2011 01:51:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bronca]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Voltamos ao trabalho depois de mais de dois meses em greve. Internamente, o resultado foi bastante positivo, principalmente porque possibilitou, nas assembleias, a exposição pública dos diferentes interesses e visões sobre educação, como um todo, e sobre os Institutos, em particular. Estupefato, assisti a defesas da expansão dos Institutos Federais, no geral feita a toque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Voltamos ao trabalho depois de mais de dois meses em greve. Internamente, o resultado foi bastante positivo, principalmente porque possibilitou, nas assembleias, a exposição pública dos diferentes interesses e visões sobre educação, como um todo, e sobre os Institutos, em particular.</p>
<p>Estupefato, assisti a defesas da expansão dos Institutos Federais, no geral feita a toque de caixa e no atropelo; escutei gente de peso na minha instituição dizer que o básico para uma aula funcionar é o professor, um quadro e dezenas de alunos&#8230; entre outras pérolas.  Enfim, tais discursos funcionam como um balde de água fria para quem se entusiasmava com a ideia de que os Institutos se sustentariam &#8220;na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos&#8221;.</p>
<p>O pressuposto básico, inclusive indicado nominalmente pelos Institutos, é o apelo à articulação institucional entre Ciência, Tecnologia e Educação. Não consigo ver, nesse momento e no geral, uma política consolidada de ciência e de tecnologia nos Institutos Federais. O próprio entendimento do que seja &#8220;educação&#8221; &#8211; tratada como uma equação composta de Professor, Giz e Aluno &#8211; reflete bem a pequenez dos Institutos frente aquela já desenvolvida em diversas escolas públicas estaduais e municipais no Brasil.</p>
<p>No meu campus, por exemplo, a internet &#8211; essa coisa minimamente básica &#8211; oscila e não é confiável. Laboratórios? Corre o risco de formar turmas dos cursos superiores sem terem a oportunidade de fazer experimentos e demonstrações científicas em laboratório. Mais do que questionar a dedicação e esforço desse ou daquele dirigente &#8211; e aí falando da instância local &#8211; está a crítica a uma política de expansão que poderia ser acompanhada, em mesma rapidez, do aporte financeiro necessário para tal empreendimento.</p>
<p><strong>Sobre reivindicações salariais</strong></p>
<p>Reposição salarial era apenas uma das <a href="http://www.sinasefe.org.br/pauta_reiv_atualizada.pdf">doze reivindicações grevistas</a>. No entanto, era, talvez, o ponto de negociação que mais esbarrava na  absoluta inflexibilidade do atual governo.</p>
<p>Por exemplo: ao se negar receber os representantes sindicais em reunião para debater o Plano de Carreira (estavam presentes o Andes e o Proifes, representando professores das universidades federais), o Ministério do Planejamento repetia <em>ad nauseam</em> que não negociava com grevistas. Para um governo que teve suas origens no sindicalismo de enfrentamento &#8211; e, por isso, pagaram alto preço, como a prisão de vários líderes &#8211; a gestão petista da Sra. Dilma é extremamente CONTRADITÓRIA.</p>
<p>No mais, não se reivindicava aumento salarial; o que se pedia era uma reposição das perdas salariais em função da inflação anual. Todo trabalhador  tem que ter esse direito garantido. A gestão federal  do Partido dos Trabalhadores, no entanto, não se sensibilizou com um problema típico dos&#8230; trabalhadores.</p>
<p>Pois bem. Greve findada, o que todo trabalhador espera é o cumprimento do Governo do indicativo de que as negociações se iniciem. Negociações que reflitam, sobretudo, a imperiosa necessidade de valorização da educação, não mais como discurso eleitoreiro, mas como efetiva política pública.</p>
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		<title>Lula, o SUS e o câncer</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 12:53:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bronca]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde a eleição de Lula que eu escutava sobre um tal &#8220;preconceito social&#8221; contra o agora ex-presidente. O episódio do câncer que o acometeu, divulgado nesse final de semana, parece reacender a discussão. Os comentários de internautas têm sido tão abjetos que motivou um colunista da Folha de S. Paulo a escrever sobre. No Facebook, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde a eleição de Lula que eu escutava sobre um tal &#8220;preconceito social&#8221; contra o agora ex-presidente. O episódio do câncer que o acometeu, divulgado nesse final de semana, parece reacender a discussão. Os comentários de internautas têm sido tão abjetos que motivou <a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/999070-o-cancer-de-lula-me-envergonhou.shtml">um colunista da Folha de S. Paulo a escrever sobre</a>.</p>
<p>No Facebook, uma campanha defende o tratamento de Lula no SUS. Essa campanha é tão demagógica quanto aquele projeto do Senador Cristovam Buarque que acredita que a saída para o sistema público de educação é a matrícula de filhos de políticos em escolas municipais e estaduais.</p>
<p>A hipótese da presença do preconceito social se fortalece na medida em que se constata nenhuma indicação de tratamento ao SUS feita para o rico empresário Jose Alencar. Pelo contrário: qualquer brasileiro de bom coração se comoveu com a luta pela vida e o ânimo do ex-vice-presidente da República. Porque não dar o mesmo tratamento ao indouto ex-torneiro mecânico? Ora, essa reação estúpida só exibe a <a href="http://caras.uol.com.br/noticia/fina-estampa-griselda-e-aceita-no-condominio-de-luxo-onde-mora-tereza-cristina#image0">&#8220;teresacristinice&#8221;</a>  de muitos brasileiros. Querendo ou não, a ascensão social de Lula  lhe permite usufruir daquilo que seu dinheiro compre.</p>
<p><a href="http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/2011/10/29/lula_e_o_sus_hipocrisia">Aliás, as melhores linhas escritas que li sobre esse assunto traduzem essa argumentação facebookiana assim</a>:</p>
<blockquote><p>&#8220;<em>Os brasileiros, em sua maioria, sao tristemente patéticos. Nao demorou para que, além das péssimas piadas sobre o terrível diagnóstico, começassem com aquela bobagem de que Lula, por ser político e ex-mandatário, deveria usar o SUS. Pura hipocrisia.</em></p>
<p><em>Ele hoje tem dinheiro e, por óbvio, gasta como quiser. Passando essa obviedade, há um dado ainda mais problemático: se realmente vai ao SUS, ele tira a vaga de alguem sem condições, guardando seu dinheiro no banco. É isso que &#8220;defendem&#8221; nossos mestres da lógica</em>.&#8221;</p></blockquote>
<p>Força, Lula. Força, portadores do câncer, não importa se em hospitais públicos ou particulares, se filiados ao PT ou ao DEM. Força.</p>
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		<title>O conjunto habitacional de Pruitt-Igoe</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 11:15:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: wikipedia.org O condomínio de Pruitt-Igoe, em Saint Louis, Mo. (foto acima), foi resultante da concretização de um projeto influenciado pela mesma fonte teórica que culminou na construção de Brasília: o urbanismo modernista.  O urbanismo modernista é derivado principalmente das idéias emanadas dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM), em que o arquiteto franco-suíço Le [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b9/Pruitt-igoeUSGS02.jpg/640px-Pruitt-igoeUSGS02.jpg" alt="" width="640" height="392" /></p>
<p><em>Fonte: <a href="http://wikipedia.org">wikipedia.org</a></em></p>
<p>O condomínio de Pruitt-Igoe, em Saint Louis, Mo. (foto acima), foi resultante da concretização de um projeto influenciado pela mesma fonte teórica que culminou na construção de Brasília: o urbanismo modernista.  O urbanismo modernista é derivado principalmente das idéias emanadas dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Congresso_Internacional_da_Arquitetura_Moderna">Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM)</a>, em que o arquiteto franco-suíço Le Corbusier desempenhou figura de proa, e da famosa <a href="http://pt.scribd.com/doc/6541985/Carta-de-Atenas-Congresso-Internacional-de-Arquitetura-Moderna-1933-CARVALHO-Pompeu-Figueire">Carta de Atenas</a> (elaborada por Le Corbusier), que expressava os princípios básicos da arquitetura moderna.</p>
<p>Pruitt-Igoe, aliás, foi precedido em Saint Louis por um premiado projeto arquitetônico, também de orientação modernista, o Cochran Gardens (foto abaixo). Esse conjunto habitacional, construído para brancos pobres, foi demolido em 2008.</p>
<p><img src="http://www.builtstlouis.net/images/cochrangardens10.jpg" alt="" width="600" height="376" /></p>
<p><em>Fonte: <a href="http://www.builtstlouis.net/">http://www.builtstlouis.net</a></em></p>
<p>Os primeiros edifícios do Pruitt-Igoe foram concluídos em 1955. Ao todo, foram 33 prédios, cada um com onze andares. Era a expectativa de boa moradia para os pobres de Saint Louis. Para o prefeito, Joseph Darst, seria a vitória da municipalidade contra as favelas.</p>
<p>O aspecto funcional e racional da organização do espaço sugeria que aquele projeto seria duradouro. Os espaços livres entre os edifícios eram destinados a lazer e espaço de convivência entre os moradores. Projetado por Minori Yamasaki, arquiteto que tem em seu currículo as torres do World Trade Center, Pruitt-Igoe tinha a ousada intenção de reproduzir Manhattan na maior cidade do estado do Missouri.</p>
<p>No entanto, Pruitt-Igoe sequer chegou a &#8220;vida adulta&#8221;. Depois de dezessete anos, em 1972, o imenso complexo habitacional foi dinamitado. Os motivos do fracasso não são consensuais; as explicações mais recorrentes envolvem a política de segregação racial da época (uma espécie de confinamento dos negros; Pruitt recebia apenas negros, enquanto Igoe era um conjunto misto. No entanto, em poucos anos as famílias brancas começaram a mudar, reflexo e reforço da estigmatização do conjunto habitacional) e o encolhimento populacional da cidade no período de 1950/1970 (a cidade perdeu mais de duzentos mil habitantes).</p>
<p>O fato é que o condomínio nunca alcançou lotação completa. &#8220;Qualidades modernistas&#8221; foram questionadas e alçadas a problema, como, por exemplo, o fato de nem todos os andares serem servidos pelo elevador (uma medida para socializarem os moradores, obrigados a trafegarem pelas escadas). Não demorou para que a marginalidade ocupasse os apartamentos abandonados, fazendo de Pruitt-Igoe um ponto de tráfico de drogas. Em 1971, apenas 600 pessoas ainda moravam no conjunto. Dezessete edifícios estavam abandonados e devidamente lacrados.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/Pruitt-igoe_collapse-series.jpg" alt="" width="616" height="1550" /></p>
<p><em>Fonte: <a href="http://wikipedia.org">wikipedia.org</a></em></p>
<p>A falência desse projeto habitacional abriu um debate &#8211; que ainda se mantém atual &#8211; sobre os cuidados que o Estado deve ter em suas políticas públicas urbanas, especialmente aquelas que tratam de equacionar o problema da moradia. O contexto específico da época, obviamente, foi fundamental para o fracasso do projeto. Distante quase quarenta anos da demolição, a área de Pruitt-Igoe não foi utilizada para moradia. O abandono por todos esses anos permitiu o florescimento de uma densa vegetação. <a href="http://pruitt-igoebeesanctuary.com/l">A contraditória sociedade humana cedeu lugar para uma harmônica sociedade de abelhas</a>.</p>
<p>A história de Pruitt-Igoe tem sido retratada no cinema. Na película mais notória, &#8221;Koyaanisqatsi&#8221;, há uma sequência de cenas retratando o conjunto habitacional e sua demolição (ver cena abaixo). O outro filme, mais completo, foi lançado no início desse ano. É o documentário “The Pruitt-Igoe Myth” que, aparentemente, não foi exibido no Brasil (segue trailer abaixo).</p>
<p><iframe src="http://www.dailymotion.com/embed/video/x2fjyj" frameborder="0" width="560" height="448"></iframe><br />
<a href="http://www.dailymotion.com/video/x2fjyj_koyaanisqatsi-pruitt-igoe_shortfilms" target="_blank">Koyaanisqatsi &#8211; Pruitt Igoe</a> <em>por <a href="http://www.dailymotion.com/Tubulamarok" target="_blank">Tubulamarok</a></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/g7RwwkNzF68" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
<p>Fontes:</p>
<p><a href="http://www.magicalurbanism.com/archives/2868">Magical Urbanism</a>, <a href="http://www.soc.iastate.edu/sapp/pruittigoe.html">Alexander von Hoffman</a>, <a href="http://www.umsl.edu/~keelr/010/pruitt-igoe.htm">Robert O. Keel</a>, <a href="http://www.stltoday.com/news/local/metro/article_e2a30e7c-f180-5770-8962-bf6e8902efc1.html">Tim O&#8217;Neil</a> e <a href="http://www.economist.com/blogs/prospero/2011/10/american-public-housing">The Economist (blog Prospero)</a>.</p>
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		<title>Felicidade permanente</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 08:49:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Umbigo]]></category>

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		<description><![CDATA[A felicidade permanente é vendida por aí em propagandas de margarina,  coca-cola e no culto televisivo da madrugada. Bem, pura ilusão. Não existe sujeito-sempre-feliz, e, se existisse, seria o cara mais tedioso do mundo. E embora desconfie que a maioria das pessoas não aceite essa ideia tão, assim, passivamente, suponho que toda essa presepada influencia muita, muita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A felicidade permanente é vendida por aí em propagandas de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=plZLyDkrzq8">margarina</a>,  <a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=propaganda%20felicidade&amp;source=web&amp;cd=5&amp;ved=0CDQQtwIwBA&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D6laLjMOZZnc&amp;ei=4typTrOOHNOGsgLi19zGDw&amp;usg=AFQjCNHVjtLRyOn0PWdNNwMXmmhFquX5ng">coca-cola</a> e no culto televisivo da madrugada. Bem, pura ilusão. Não existe sujeito-sempre-feliz, e, se existisse, seria o cara mais tedioso do mundo. E embora desconfie que a maioria das pessoas não aceite essa ideia tão, assim, passivamente, suponho que toda essa presepada influencia muita, muita gente. São zilhões de robozinhos perseguindo, inutilmente, uma permanente felicidade. Nessa busca, a frustração é companhia certa. Neuroses mil, mais e mais gente deprê, e assim por diante.</p>
<p>Por isso, uma frase da Renata Vasconcelos (apresentadora do Bom Dia Brasil, noticiário matinal da TV Globo) é tão fascinante: &#8220;<em>acho péssima essa obrigação de ser sempre feliz. Tristeza é fundamental</em>&#8221; (<a href="http://revistatpm.uol.com.br/revista/109/perfil/renata-vasconcelos.html">TPM, maio de 2011</a>). Brilhante! Como saberíamos, ora pois, como é a felicidade, aquela genuína, momentânea &#8211; até mesmo para ser mais valorizada &#8211; se não fosse a existência da tristeza? Porque &#8211; e desculpe-me pelo <em>lugar-comum</em> - o diamante é o que é por conta de trilhões de pedrinhas áridas e macambúzias&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasília e sua suposta falta de capitalidade</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 21:40:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[Leitura]]></category>

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		<description><![CDATA[Pesquisando sobre identidades espaciais, me deparei com a tese  &#8221;Brasília: de espaço a lugar, de sertão a capital (1956-1960)&#8221; (UnB, 2008, doutorado em História). No geral, é um estudo brilhantemente elaborado. Escrito em primeira pessoa, o texto permite ao leitor &#8220;viajar&#8221; no trajeto científico da pesquisadora. Ter mais de trezentas páginas, nesse caso, é um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisando sobre identidades espaciais, me deparei com a tese  &#8221;<em><strong>Brasília: de espaço a lugar, de sertão a capital (1956-1960</strong></em>)&#8221; (UnB, 2008, doutorado em História). No geral, é um estudo brilhantemente elaborado. Escrito em primeira pessoa, o texto permite ao leitor &#8220;viajar&#8221; no trajeto científico da pesquisadora. Ter mais de trezentas páginas, nesse caso, é um benefício para quem lê.</p>
<p>Bem, mas não foi  isso (ou somente por isso) o que me motivou a escrever esse texto. Entre vários conceitos interessantes, a autora, Ana L. Gomes, recorre a &#8220;capitalidade&#8221; para distinguir Brasília da cidade do Rio de Janeiro. Nesse sentido, segundo a autora, falta &#8220;capitalidade&#8221; a Brasília e, mesmo distante meio século da transferência da capital, a cidade do Rio de Janeiro a conserva.</p>
<p>Primeiro, vamos ao conceito de capitalidade (que, confesso, era novo pra mim): segundo a autora, capitalidade  seria, em linhas gerais, a &#8220;<em>capacidade de representar a nação</em>&#8221; (p. 55). Assim, mesmo Brasília sendo a capital federal, ela &#8220;<em>não consegue representar a nação</em>&#8221; (p. 109). Essa deficiência em representar o Brasil talvez possa ser diagnosticado pela ausência de Brasília nas imagens de Brasil; na verdade, abundam associações do Brasil na mídia (e, talvez em mesmo grau, nas propagandas para fisgar turistas lá fora, no <em>estrangeiro</em>), com o &#8220;<em>litoral, por exemplo, ao carnaval, ao Rio, às praias</em>&#8221; (p. 12).</p>
<p>A rigor, esse sentido de capitalidade fica preso a representação da cidade no imaginário popular, ou, em outras palavras, legitima a cidade-capital e seu sentido de capitalidade apenas para a <em>cidade-símbolo</em>, seja do estado, seja do país.</p>
<p>Peguemos, pois, o exemplo do país que nos deu inspiração para uma República Federativa: os Estados Unidos. Os EUA não tem sua imagem relacionada de imediato a sua capital. Nova Iorque e Los Angeles, por exemplo, tem muito mais peso representativo da nação americana do que Washington. A mesma regra vale para os estados americanos. A capital da California não é Los Angeles, nem San Francisco (é Sacramento); da Florida não é Miami, nem Orlando (é Tallahassee); da mesma forma que Nova Orleans não é a capital de Louisiana (é Baton Rouge), Chicago não é  capital de Illinois (é Springfield), Detroit não é capital de Michigan (é Lansing) e nem Nova Iorque é capital do Estado de Nova Iorque (é Albany). São vários e vários exemplos, só nos EUA.</p>
<p>Talvez &#8211; e essa é minha hipótese &#8211; não faz sentido para as nações modernas escolher uma cidade-símbolo para ser sua capital. O conceito de modernidade, aliás, é um dos motores da ideia de construir novas cidades para serem capitais. Assim foi com Aracaju (Alagoas), Belo Horizonte (Minas), Goiânia (Goiás), Boa Vista (Roraima) e Palmas (Tocantins), no Brasil. Certamente haviam cidades, nesses estados, que representavam imageticamente o Estado e, portanto, possuíam a tal capitalidade.</p>
<p>Posso estar errado, evidentemente, mas me parece que a escolha de uma capital, hoje, não passa pelo sentido dado de &#8220;capitalidade&#8221;. Não foi com várias cidades modernas e, certamente, não foi com Brasília. No entanto, ninguém duvida do sentido e importância de Brasília &#8220;apenas&#8221; por ser a capital federal. Retirem toda a estrutura político-administrativa de Brasília, por exemplo, e a cidade certamente &#8220;murchará&#8221;.  Milhares de pessoas só estão em Brasília porque foram atraídos  pelo sentido de &#8220;capital&#8221; que ela encerra em si mesma.</p>
<p>Mesmo não considerando &#8211; ou, pelo menos, duvidando &#8211; da capitalidade de Brasília, a autora é muito generosa com a capital do Brasil. Para ela, &#8220;a capitalidade de um país talvez fosse muito pouco para as dimensões que Brasília teve e tem no sentido da construção mítica da nação e de nossa identidade&#8221; (p. 307), o que, certamente, não há como discordar.</p>
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		<title>Sobre o finado Kadafi</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 13:34:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Com comentários rapidinhos sobre a violenta morte de Kadafi, ninguém no Manhattan Connection &#8211; meu programa predileto de comentários sobre o noticiário internacional &#8211; tocou no que, pra mim, é essencial: encerrar uma estupidez (o governo ditatorial de Kadafi) com outra estupidez (um assassinato) só evidencia a bestialidade dos rebeldes. Seria, na prática, uma troca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com comentários rapidinhos sobre a violenta morte de Kadafi, ninguém no Manhattan Connection &#8211; meu programa predileto de comentários sobre o noticiário internacional &#8211; tocou no que, pra mim, é essencial: encerrar uma estupidez (o governo ditatorial de Kadafi) com outra estupidez (um assassinato) só evidencia a bestialidade dos <em>rebeldes</em>. Seria, na prática, uma troca de seis por meia dúzia no comando líbio. Os dois grupos (Kadafi e rebeldes) se identificam pelo tratamento dado aos inimigos políticos. O abjeto filme, retratando um Kadafi trôpego e banhado em seu próprio sangue, é surreal. É o fim de qualquer versão romântica dos rebeldes e da versão líbia de uma tal &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Protestos_no_mundo_%C3%A1rabe_em_2010-2011">primavera árabe</a>&#8220;.</p>
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		<title>Jornalismo ruim</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 17:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Matéria da Secretaria de Comunicação da UnB apresenta algumas proezas de um péssimo jornalismo. Imperdível.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=5317">Matéria da Secretaria de Comunicação da UnB</a> apresenta algumas proezas de um péssimo jornalismo. Imperdível.</p>
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