Aparência é tudo

Lin Miaoke foi a garotinha chinesa que apareceu “cantando” na abertura das olimpíadas. A voz era de outra criança, que fora excluída por não passar no “teste da aparência”. Pelo menos a burocracia estatal não é dissimulada: “Foi por interesse nacional”, disse o organizador da abertura.

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Jovens chineses: os mais belos e também os mais feiosos, enfim, juntos.

A “vistosa aparência” do país mais populoso do mundo possivelmente estará em alta até o fim da olimpíada, quando provavelmente todos lembrarão da perversidade que representa o “chinese way of life“.

E o que resta desse roto espírito olímpico enquanto conflitos pipocam por todo o mundo e as chamas da sagrada tocha queimam numa nação autoritária e opressora?

Revista Brasileira de Geografia

Que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística tem muito de Estatística e pouco de Geografia, todos sabemos. Essa situação reflete a constante desvalorização pela qual a Geografia passou nesse órgão nos últimos anos.

Os tempos áureos da Geografia Brasileira estão registrados na Revista Brasileira de Geografia (RBG). Trimestral até a década de 1980, a revista diminuiu a periodicidade até desaparecer, em 1996.

Felizmente, a atual gestão à frente do órgão tem se diferenciado da mediocridade de anos anteriores no trato do temário da Geografia. Até uma nova edição da revista foi publicada, em 2005. Sem muito alarde, no entanto, e sem previsão de continuidade – o que é lamentável.

Mesmo assim, é digna de louvor a digitalização de todos os números da RBG, desde 1939. Para os interessados em história do pensamento geográfico brasileiro, isso é um prato cheio. Para os  saudosistas de plantão, nada melhor como relembrar um tempo no qual a Geografia vivia momentos de alto prestígio junto a comunidade científica brasileira.

Os arquivos estão disponíveis na biblioteca virtual do IBGE. Para localizá-los, clique em “coleção digital” e, em seguida, em “Publicações”. No campo “busca”, digite “RBG”.

Sobre o piso salarial para professores

Depois de ler sobre a posição contrária de alguns secretários estaduais de educação à lei que institui o piso salarial (míseros 950 mangos), meu ceticismo sobre o futuro da educação nesse país aumentou. É inadmissível, para um Brasil que quer ser grande, tratar a carreira docente com tanta negligência.

Dessa história, ficamos assim: poucos se interessarão genuinamente em ser professores. A maioria entrará na roda por conta do emprego, e só. Não tem essa onda de gostar da profissão e tal. É bobagem dizer, tamanha obviedade: só é bom em uma profissão quem a assume com gosto.

Pra quem sabe o quanto desgastante é a profissão, o resultado dessa cada vez mais desinteressante carreira não poderá ser outro. Se alguma coisa será valorizada, certamente será a mediocridade geral.

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Dessa discussão, uma cena curiosa: a presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Maria Auxiliadora Seabra, secretária de educação do Tocantins, tratou do tema com bastante empolgação. Até mesmo porque, nesse Estado, os salários dos professores ultrapassaram o piso nacional há anos, demonstrando a seriedade da gestão pública estadual com resultados em longo prazo. Dorinha, como gosta de ser chamada, é, talvez, a mais experiente secretária de educação (está mais de oito anos na condução da pasta) e os índices educacionais tocantinenses tem melhorado significativamente. Isso em um Estado que, ao contrário dos gaúchos, cariocas, mineiros e paulistas, não possui tanta opulência nos cifrões (bizarro isso: os mais ricos estados pagam mal seus professores.). Uma cabal demonstração, portanto, que é possível valorizar a carreira docente em todo o território nacional.

Politicalha

Já tá no site do TSE a lista dos insuspeitos senhores que almejam cargos eletivos para 2009. Passei boas horas me divertindo com as listas de candidatos a vereadores e prefeitos e seus bens declarados. Coisa engraçada: tem gente que, não obstante a publicidade do patrimônio acumulado, insiste em subvalorizar seus imóveis –  importante dizer: quase não são listados, fazendo-nos imaginar que eles, assim como nós, sofrem das mazelas do déficit habitacional brasileiro… – e negligenciar outras propriedades. O que há de empresário e comerciante com ficha constando “O candidato não possui bens a declarar“…

Roupa nova

O Lattes, o orkut dos pesquisadores, está de visual novo. A arquitetura de busca do repositório de currículos está mais clean e funcional.

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Falando nisso, gostaria mesmo é de conhecer alguém que tenha currículo lá e recebeu algum tipo de proposta profissional. Parece-me que a função do site é catalogar e coletar dados estatísticos, para fins de planejamento e demais atividades burocráticas… e só.

Só? Não… serve também para bisbilhotar a vida alheia, possibilitando descobrir que aquela pessoinha que lhe tirou a vaga na pós-graduação, em um passado não muito distante, detem um currículo pra lá de medíocre.

E ao contrário do orkut, mentir sobre seus dados no lattes dá o maior fuzuê…

É proibido folhear!

Acredito que seja uma das manias mais comuns daqueles que compram livros: folhear o material, conferindo o índice se a beleza do título é confirmada pela discussão temática no miolo do livro.

Pegar, manusear, sentir as páginas, conferir a tipologia das letras… pode até parecer algo simplório, mas é isso que me motiva ficar horas e horas sentado ao pé de uma estante, indeciso como bom libriano, escolhendo o que devo ou não levar. E isso, infelizmente, não acontece em um processo natural de aquisição de um livro nas livrarias virtuais.

Mas essa desvantagem das livrarias virtuais pode ser minimizada, como a Editora Contexto demonstra. Os livros editados e postos à venda no site da referida editora têm, on-line, o sumário e trechos em arquivos pdf.

Copiem, editoras e livreiros, copiem.

Desabafo

Devo estar mais cansado do que supunha. Conforme escrevi há pouco, não vejo com muito otimismo debates longos. E à espreita de algum, entrego já os pontos. Tenho a sensação que não estou me fazendo claro – e, seguidamente, não estou mesmo – e fico furioso por isso. Não é o fato de fazer parte do lado perdedor que me incomoda. Muito mais que isso, é descobrir que, em outras situações, as fraquezas dos argumentos de meus debatedores poderiam ser exploradas com mais eficácia. Nas rodas da disputa, ter consciência da falta de representatividade de meu voto e de minha voz acrescenta um pouco mais de angústia nesse caldeirão estafante.

Férias, por favor.

Mamma Mia

Minhas células bregas estão agitadas, ansiosas pela espera do mês de setembro e a inevitável apresentação do musical “Mamma Mia” nos cinemas brasileiros. Meryl Streep interpreta a protagonista e Benny e Björn integra a produção.

E aí meus sentidos de autodefesa me sugerem escrever, desde já, a respeito da variação natural de gosto musical e tal. Antevejo que mmuuitttaaa gente mais entendida e com altos graus de refinamento em qualidade musical aporte por aqui e tenha seus sensores danificados com a violência, ousadia e petulância de minha afirmação: Abba é «a» banda.

Destôo do grupo de abbamaniacos apenas quando estão em discussão as famosas listinhas “the best of”. Gosto pouco do mais popular disco (Abba Gold) e pulo a faixa quando Frida, com seu vozeirão mezzo-soprano, preenche o ambiente com I have a dream. Por sua vez, o repeat é acionado quando as melodias singelas, acompanhadas de ingênuas letrinhas de “Another Town, Another Train“, “I Am Just A Girl“, “What About Livingstone“, “Bang-A-Boomerang“, “Dum Dum Diddle“, “Cassandra” e mais outras oitenta e sete canções preenchem o fonezinho de ouvido, aumentando ainda mais meu revés na audiometria anual… ;P

erar e umano

Assustei-me com alguns erros gramaticais em um texto científico publicado ano passado. É aquela história: revisão gramatical é coisa séria. [Não seria uma obrigação dos revisores de periódicos científicos compartilhar o ônus da marvada “flor do lácio“? E pior: há casos em que os erros se multiplicam após a revisão!] hhmmm.

É por essas e outras que evito reler textos publicados aqui…

Idiossincrasias

Posso parecer preconceituoso, mas vejo algo que inusitado quando encontro uma nutricionista obesa, um psicólogo destemperado ou um político grosso. Coisas da vida – esta incoerente e irracional?

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Disse hoje, para um amigo intelectual a enésima potência, que não gosto de Foucault. Uma bobagem. Mesmo se isso fosse verdade – não é! -, eu não teria tantos argumentos para justificar minha posição. Efetivamente, para efeito do curto debate, os olhos arregalados do debatedor me disseram que fui feliz… Uma provocaçãozinha besta é sempre bem-vinda, não?

Pra constar, então, citação do dia, da caneta do gênio francês:

“é preciso a cada instante, passo a passo, confrontar o que se pensa e o que se diz com o que se faz e o que se é.

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Mais um indicador para acúmulo de experiência: debates polêmicos longos são infrutíferos. Cada qual recrudesce sua posição, arma trincheiras de incomunicabilidade entre os argumentos distintos e logo a razão sai de mansinho, dando lugar a manifestações emotivas, pessoais e, em última instância, agressivas.

Soma-se ainda o aparecimento de grupos que admitem – de pés juntos e sagrados juramentos – a excelência da democracia na gestão do debate.  Desde que, complementam implicitamente, minhas excelentes idéias prevaleçam sobre a mediocridade da maioria. Se a maioria não está conosco é por falta de amadurecimento no debate, ou porque não compreenderam tão falhos – e fracos – são os argumentos defendidos, ou, ainda, porque nem sempre a maioria tem razão. Enfim.

Desses iluminados eu tenho medo.