Mensalão faz esquecer propinão

Roberto Jefferson esteve ontem no Programa Roda Viva, da TV Cultura. Na minha opinião, só a entrevista com Paulo Maluf conseguiu ser melhor.Jefferson é um verdadeiro show-man. Consegue seduzir os interlocutores. Parece tudo planejado, nos mínimos detalhes. Não houve uma pergunta, por mais vergonhosa que fosse, que o deixasse surpreso ou acuado. Pelo contrário: as perguntas mais duras serviam para um ataque cada vez mais apoteótico.

Pelo estrelismo, se transforma de acusado a acusador.

Vê-lo frente a frente com o Dirceu deverá ser um espetáculo imperdível.

Index livrorum proibitorum

Fernando Moraes é muito lembrado pelo sucesso de Olga. Sim, é o mesmo autor do livro “Na toca dos leões”. Mas já escreveu outros best-sellers. Entre eles, “Chatô, o Rei do Brasil”. Tenho “A ilha” na minha prateleira.”Na toca” já estava na lista dos livros mais lidos da Revista Época semana passada. Acho que não sai dessa lista tão cedo.

Isso tudo se deve ao meu conterrâneo Ronaldo Caiado. Implicado com dois parágrafos de um livro de mais de quinhentas páginas, não deu outra. Esperneou, entrou na justiça, e com o parecer favorável de um juiz paraunense (de Paraúna-GO), está retirando de circulação todos os exemplares das livrarias brasileiras.

O bom senso diria que Caiado deveria processar o autor do livro, sendo que viu, em algum momento, sua honra atacada. Mas nem sempre o bom senso aparece, não é? Ademais, é prática sempre corrente em determinados setores da sociedade calar uma voz por porretada ou de forma mais sutil, como se vê nesse caso.

Calar, literalmente. Caso o Fernando Moraes comente alguma coisa sobre o livro ou sobre a sentença do Juiz, pagará multa. Entenda: o escritor paga para manter o seu direito de livre expressão.

Se a intenção é voltar aos áureos tempos da ditadura militar, tá faltando o pau-de-arara. Se é voltar aos tempos de inquisição, que queime o Fernando Moraes.

P.S.: Meu blog está no ar há pouco mais de três meses. Agora que o contador registrou quinhentas visitas. Muito pouco visitado, portanto. Apenas meus amigos, alunos e conhecidos na net aparecem por aqui. Será que corro algum risco de ser processado?

Tim Lopes e os outros sessenta

Elias Maluco foi condenado. Seria um marginal a mais, se não fosse pela magnitude de seu crime. Não, lógico que não estou falando dos mais de sessenta assassinatos atribuídos ao malfeitor somente no ano passado.

Da morte do jornalista de um grande veículo de comunicação como a TV Globo podemos tirar várias lições. A mais explícita é que a vida de alguns tem muito mais valor do que a minha, do que a sua, do que a vida da maioria da população brasileira.

Um ser supervalorizado sugere o barateamento dos outros. Essa lógica pode explicar o “Julgamento do Ano”. Que as famílias das dezenas de vítimas do traficante esperassem por um julgamento divino vindouro. Apoiado na legendária morosidade da justiça brasileira, o número sessenta se converte em um dado qualquer, muito menos importante – pasme! – do que o “um”.

A segunda lição é sobre a excepcionalidade e a obviedade dos fatos. Foi algo incomum a morte de um jornalista como Tim Lopes – tão incomum que gerou protestos por todo o mundo. Apesar do perigo imposto pela profissão, o jornalismo investigativo da TV Globo não tinha, até então, nenhuma perda humana. Todavia, não se lembra de tanta comoção quando Vladimir Herzog, jornalista da TV Cultura, foi assassinado na década de 80. Nem a Globo se esforçou tanto quanto agora na resolução do crime.

Já a prisão e condenação de Elias Maluco estão como fatos óbvios, inequívocos. Mais cedo ou mais tarde, Elias seria preso. Dependendo do olhar, foi até bom pra ele. Muito mais perigoso do que ser jornalista é ser traficante. Não se tem notícia de algum companheiro de Elias chegando a terceira idade.

Mesmo assim, questões comuns são colocadas a muitos brasileiros mais comuns ainda. Falta ser explicado porque a justiça pode ser tão eficiente em alguns casos, mas tão lenta em outros. Resta saber quantos Tim’s serão necessários para todos saberem o valor de uma vida, independente de cor, classe social, opção política, profissão.

Eutanásia?

Confesso que nunca tinha pensado sobre a ética que envolve a eutanásia. Sempre estive indiferente. Isto é, não é algo que ocupe os meus pensamentos.

Dada a condição do caso daquela moça norte-americana (Terri Schiavo) estar presente em toda espécie de mídia, me obrigou a usar o “tico” e o “teco”.

Como acredito em milagres, naturalmente sou contra a eutanásia. Acho que até o último instante há possibilidade de interferência de uma força maior (Deus, nesse caso).

Um comentário de Henry Sobel, o rabino-chefe dos israelitas no Brasil, me fez repensar por alguns segundos essa minha idéia.

Para o mestre judeu, é anti-natural manter uma pessoa viva por meio de parafernália tecnológica. Deus deu a vida para nós vivê-la naturalmente.

Interessante, não?

Mesmo assim, continuo pensando como antes.

Certamente, ao designar à inteligência humana habilidades necessárias para prolongar a vida, houve uma autorização natural para prorrogá-la.

Mas seguindo a mesma linha de raciocínio: haveria algum problema ético quando, em um futuro que acredito não ser tão distante, se descobrir exatamente como impedir o envelhecimento celular?

O resultado da inteligência humana que permitiria a “vida eterna” não seria questionado?

Isso é uma vergonha!

Haja assunto para Boris Casoy…Um juiz mata segurança de supermercado no Ceará

Freira norte americana é morta por pistoleiros (a mando de fazendeiros) no Pará

Presidente da Câmara dos Deputados deseja alterar o miserável e irrisório salário dos colegas para R$ 21.000,00.

É mole?

Bush e a Síria

Bush considera a Síria um obstáculo para a paz no Oriente Médio.

Não seria o Bush um perigo para a Síria? Ou melhor, não seria Bush muito mais perigoso do que homens loucos se explodindo?

Explico: homens loucos se explodindo acontece apenas uma vez. Bush massacrando idosos, crianças, trabalhadores e trabalhadoras é uma cena que se reedita constantemente.

Parafraseando Arnaldo Jabor, é irracional para o mundo ocidental a prática suicida dos terroristas. Não há possibilidade nenhuma de “vencer o terror”. Onde está o inimigo a combater?

Ainda esquecem da velha lição do Vietnã. Perderam uma guerra porque desconheciam a tática de guerrilha dos vietcongs. Estão perdendo vidas no Iraque pelo mesmo motivo.

Há ainda o efeito compensatório para as mortes dos jovens e esperançosos soldados norte-americanos. Para cada vida perdida, dezenas de assassinatos. Nessa lista infindável de mortes, uma se destaca. Nicola Calipare, agente secreto italiano. Destacado para proteger a jornalista Giuliana Sgrena, sequestrada no Iraque, foi baleado pelos americanos quando estavam voltando para a Itália.

Curiosamente, a jornalista deu declarações de que estava sendo bem tratada pelos sequestradores .

Tratamento diferente recebido dos soldados norte-americanos, não? O herói hollywoodiano, nessa história, não passa de um grande vilão típico do pior dramalhão mexicano.