Merchan

# Gostei do Chrome. Pra quem não liga muito pra diversidade de addons do Firefox – quer mesmo é um navegador simples, clean e rápido, melhor opção não há. É a hegemonia googleana dando as cartas.

# Descobri as facilidades do Writer. Sacanagem, agora: decidir entre o novíssimo painel do wordpress e esse prático editor de blogs.

# Tá certo que quando a gente paga por serviços prestados, a gentileza está, necessariamente, incluída no pacote. Mesmo assim, fico muito satisfeito em poder contar com a hospedagem na Pre-Lude, exatamente por conta da assistência técnica. Agilidade, eficiência e fineza top top.

# Deixei meu telefone uma vez no site da Fiat (queria o Punto, mas acho que vou sair de Palio mesmo…). Bastou isso para me lembrarem de todas as promoções em curso nas concessionárias do DF. Se bem que, nesse caso, fico pensando se a assistência técnica seria tão prestativa quanto…

A dor da liderança

É como se uma força invisível dissesse assim:

“Façamos dois grupos. Grupo A, aqui, nesse quadrado, torçam para que o chefe seja um empreendedor e assuma os riscos pelas decisões tomadas. Cuidem para que ele não seja um bundão, hesitante nisso e naquilo outro. Grupo B, desse lado, fiscalizem o líder para que ele cumpra apenas o papel de representar o grupo, e nada mais que isso. Vigiem-no para que não delibere sequer sobre uma caixa de fósforo sozinho.”

E daí você passa a ser odiado tanto pelos gregos quanto pelos troianos.

Vacina contra rubéola esteriliza

Ontem houve uma campanha de vacinação contra rubéola no trabalho. O movimento suscitou, nos corredores, debates sobre a importância e coisa e tal. Jocoso, comentei sobre um estapafúrdio e-mail recebido indicando a possibilidade de tal campanha esconder o funesto objetivo de esterilizar homens e mulheres em idade reprodutiva.

Bobagem, claro. Mas tem gente que gosta de uma teoriazinha de conspiração…

Um colega mesmo defendeu a idéia, dizendo que havia lido no blog de um Julio-sei-lá-o-que e no site de uma tal mídia-sem-sei-lá-o-que. Referência incontestável, certo? (pesquisando no Google, só encontramos menção sobre essa bobagem em sites fundamentalistas – o que atesta a pouca credibilidade da notícia, portanto).

Adiantava dizer que o problema da superpopulação já não faz parte da agenda política de um sem número de países? Que a tendência, visto a diminuição crescente da taxa de natalidade, é um pavoroso mundo em que a população jovem esteja numericamente muito menor do que aquela que está desejosa em curtir uma aposentadoria? Que seria uma política suicida esterilizar, em massa, determinada população?

Devo confessar que meus argumentos pouco adiantaram, já que meu debatedor é um daqueles que – pasmem! – imaginam que o governo que aí está quer, em uma medida anti-cristã (SIC!), conter o crescimento populacional natural via estímulo do aborto, práticas homossexuais e laqueaduras/vasectomias gratuitas.

É mole?

——————

PS: Mundo Gump, que também recebeu o e-mail, publicou contra-argumentos interessantes. Abaixo, trechos selecionados:

ARGUMENTO TOSCO 1:  Na Argentina na mesma vacina foram encontradas substancias esterelizantes.

Não foi. A informação no email é falsa (mas engenhosa, tenho que reconhecer)

ARGUMENTO TOSCO 2: Essas vacinas são aplicadas em partes localizadas estratégicamente no planeta sobre as áreas subdesenvolvidas e de superpepulação. ( Numa parceria com a unesco)

Só se considerarmos subdesenvolvidos países como a Inglaterra e Estados Unidos. Não existe absolutamente nenhuma região no mundo (incluindo países da África) em que a população tenha diminuído após vacinações de rubéola.  (…)

(…)

ARGUMENTO TOSCO 4:  Qual o sentido da campanha? Por que tanto investimento nisso?  Se esta nem é uma doença tão grave perante tantas outras?

A explicação é que fica muito mais difícil as pessoas saberem que tem vacinação sem serem avisadas sobre isso. Enquanto não houver telepatia global, o único jeito do povo se mexer é com grandes campanhas. Considerar que esta não é uma doença grave só pra quem não teve filho abortado ou que nasceu cego ou surdo ou com outra deformidade devido a rubéola durante a gravidez.

(…)

ARGUMENTO TOSCO 6: Por que a faixa etária é justamente a idade reprodutiva? A faixa de maior fertilidade da população?

Provavelmente porque são as faixas de maior concentração populacional. Além disso, é nesta faixa que se concentra a população economicamente ativa do país. E provavelmente as faixas abaixo tomaram a vacina na infância. E talvez as estatísticas mostrem que as faixas acima já foram vacinadas e seu número não justifique uma relação de custo/benefício eficaz.

(…)

ARGUMENTO TOSCO 8: As taxas de natalidade na Argentina caíram depois da vacinação de 2006

Ok. Que bom. Legal. Tomara que aqui continuem assim também. A verdade é que a taxa de natalidade vem caindo em todos os países industrializados.(…)

ARGUMENTO TOSCO 9: Tem poucos casos de Rubéola no país para justificar vacinar todo mundo

Foram 8683 casos confirmados em 2007. fonte Pra mim isso é muito sério. Bem mais do que foi com a tal “febre amarela” episódica que causou desespero, filas nos postos, medo na população, vendeu muito jornal fez a manchete dos noticiários numa época sem grandes notícias e logo depois, sumiu.

ARGUMENTO TOSCO 10: A vacina é obrigatória. Compulsória.

Papo furado. Você já viu alguém chegar algemado no posto de saúde para tomar vacina? Nem eu.

(…)

O governo brasileiro não teria nem competência para criar um plano decente de esterilização em massa. Isso é delírio.

Então, o fato é: Tome a porcaria da vacina. Não caia nesses emails de pessoas ingóbeis nem repasse estas porcarias de hoax antes investigar um pouco. Repassando esses emails de hoax, VOCÊ estará contribuindo para disseminar o MEDO em pessoas que por culpa do SEU email alarmista-conspiratório não se vacinarão e que poderão infectar grávidas, resultando em crianças abortadas ou com má formação congênita e a culpa será INTEIRAMENTE SUA!

O texto, na íntegra, encontra-se aqui.

Direitos humanos

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Via Tribuna da Imprensa.

Update: abaixo, texto do senador Cristovam Buarque publicado hoje no Correio Braziliense.  Grifos meus ;P

Algemas mentais

Nenhum dos advogados que criticou o uso de algemas em suspeitos ricos denuncia a falta do serviço de educação para os pobres. A Constituição garante o direito à educação, o poder público se omite e a criança permanece analfabeta até a idade adulta, mas esse fato continua invisível à Justiça.

Só agora, no século 21, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a polícia não pode constranger um cidadão, colocando-lhe algemas desnecessariamente. A demora não foi por maldade dos juízes. Eles simplesmente não tinham notado ainda a existência das algemas no cenário policial brasileiro. Elas eram invisíveis nos pulsos de centenas de presos que aparecem todas as noites no noticiário. Foram necessários 400 anos de correntes de ferro maltratando escravos, durante a Colônia e o Império, e 120 anos de República, para que os juízes brasileiros percebessem as algemas que estavam nos punhos de pobres sem bermuda, sem camisa, inclusive nas últimas décadas, nas telas da televisão, quase todos os dias.

O atraso na percepção não decorre apenas da falta de sensibilidade que caracteriza a elite brasileira, mas também do fato de que, na nossa lógica jurídica, os juízes só vêem o que é mostrado sob a óptica e o argumento de advogados. Temos uma parte da população invisível aos olhos da elite, inclusive parlamentares, juízes, políticos, professores universitários. Não temos Justiça, temos um marco legal. E ele depende da capacidade dos advogados que representam os réus.

Quando a ilegalidade é cometida contra quem paga um bom advogado, os juízes do Supremo tomam a decisão e, democraticamente, determinam que o benefício da legalidade se amplie para toda a população. A Justiça não é discriminatória contra os pobres, simplesmente eles são invisíveis para ela. Os olhos vendados da deusa da Justiça só percebem parte da realidade, aquela que chega a eles pelos argumentos dos bons advogados, representando a parte rica da sociedade que pode pagar altos honorários.

Foi preciso que a Polícia Federal usasse algemas em suspeitos ricos e bem-vestidos, e que seus advogados protestassem, para que elas fossem percebidas e abolidas tanto nos ricos quanto nos pobres. Sorte do pobre, quando seu julgamento coincide com o processo contra um rico pela mesma causa.

Não ser atendido e morrer na porta de um hospital, por falta de dinheiro ou de seguro médico, não é ilegal; portanto, a Justiça brasileira não vê, nem age. Até que um rico brasileiro morra na porta de um hospital e um bom advogado entre com processo pedindo indenização para seus herdeiros. Só assim, será possível que a Justiça se pronuncie considerando ilegal a omissão de socorro, tanto para o rico que provocou o assunto, quanto para os pobres que, democraticamente, receberiam os benefícios das legalidades. Não por justiça, mas porque o fato ficou visível e adquiriu lógica legal. Sem o advogado e seus argumentos bem convincentes, o morto na porta de um hospital é um ente invisível, seja ele rico, seja pobre.

Na saúde se passou algo parecido no país. Foi quando uma epidemia de poliomielite assolou sem discriminação de classe social as crianças no Paraná, nos anos 70; quando os autoritários dirigentes militares viram o que os civis democratas nunca tinham percebido. Iniciaram então a mais ampla campanha de erradicação da poliomielite já feita no mundo. O Brasil também é exemplo mundial no atendimento público aos portadores de HIV, porque o vírus não escolhe classe social. As doenças dos pobres só são vistas quando também atingem os ricos.

Por isso, não há um programa radical para a erradicação do analfabetismo, nem para que todos os brasileiros, independentemente da classe social, cheguem ao fim do ensino médio em escolas de alta qualidade. A falta de escola é um problema dos pobres, não é visto pela Justiça nem representado pelos advogados. A algema mental continua sendo permitida pela omissão dos governantes. É a pior de todas as algemas — porque é invisível, tira a liberdade que vem do conhecimento e dura décadas —, e só atinge os pobres. Os juízes não têm forma de perceber a injustiça porque o assunto não chega a eles.

Nenhum dos advogados que criticou o uso de algemas em suspeitos ricos denuncia a falta do serviço de educação para os pobres. A Constituição garante o direito à educação, o poder público se omite e a criança permanece analfabeta até a idade adulta, mas esse fato continua invisível à Justiça.

Está na hora de um bom advogado entrar no Supremo pedindo indenização em nome de alguém mantido algemado pela omissão do poder público que não lhe garantiu educação. Talvez então se junte ao habeas corpus para os ricos o habeas mens para os pobres; pois libertar a mente é tão importante quanto libertar o preso.

Faltou algo? 🙂

Politicalha

Já tá no site do TSE a lista dos insuspeitos senhores que almejam cargos eletivos para 2009. Passei boas horas me divertindo com as listas de candidatos a vereadores e prefeitos e seus bens declarados. Coisa engraçada: tem gente que, não obstante a publicidade do patrimônio acumulado, insiste em subvalorizar seus imóveis –  importante dizer: quase não são listados, fazendo-nos imaginar que eles, assim como nós, sofrem das mazelas do déficit habitacional brasileiro… – e negligenciar outras propriedades. O que há de empresário e comerciante com ficha constando “O candidato não possui bens a declarar“…

Notebooks para professores

Depois de muito namorar essa belezura aí do lado, resolvi esperar. Acontece que Vossa Excelência, o Sr. Presidente, decretou que o professor brasileiro não pagará mais que mil reais para usufruir das vantagens de um notebook decente, através do “Programa Computador Portátil para Professor”. Essa novidade foi divulgada na última sexta-feira (04/07/2008). Embora o cronograma do Programa seja meio nebuloso (os Correios estarão ofertando as máquinas a partir de quando? – que é o que mais nos interessa), algo me diz é que melhor aguardar. Espero, ora pois.

Update: o site dos Correios já está preparado para a comercialização dos notebooks. Na mesma página há informações precisas sobre o cronograma do programa. Bom, bom, bom…

Change we can believe in!

No site de Obama há mensagens de boas-vindas a Hillary Clinton e sua equipe, conclamando a unidade partidária (“Unite for change”). Preocupação óbvia, após a desgastante pré-campanha presidencial e a pouca vantagem de Obama sobre o candidato republicano.

~*~

A esquerda brasileira, no geral, entusiasma-se com a possibilidade de uma gestão dos democratas lá. Considerando os últimos discursos de Obama sobre a  América Latina e a questão palestina, a distinção entre os dois partidos ianques talvez não seja assim tão radical.

O “change” de Obama não deve ser levado muito a sério.

Mudanças

Há quilômetros entre o ponto de partida e o atual. Depois de duas dúzias de entrocamentos, aparecem as primeiras dúvidas se é esse o caminho mais acertado. O tempo concorre contra a hesitação, logo, não há tempos para choramingos. O barco vai, pequeno Johnny, independente de nossa vontade. Se chegará a qualquer destino decente, saberemos mais tarde. Ou um pouco mais, quem sabe.

Quem quer pagar impoooossstttttoooo?

De uma enquete do blog do PH:

O presidente da Fiesp disse que a CPMF é um tiro no peito da sociedade. Mas ele não disse qual sociedade: se a dos pobres ou a da Fiesp.

Nao entendo, tambem, o tal imposto com tanta celeuma como eh colocado. Alias, acho muito mais justo impostos desse naipe, que tributa proporcionalmente niveis de renda, do que esses milhares de impostos que pesam no bolso do consumidor basico – e ai me refiro aos impostos sobre vestuario, alimentacao e remedios. Um imposto sobre o pao, por exemplo, nao distingue o individuo por sua renda. Evidentemente, populacoes mais pobres sofrerao mais.

Perfeito mesmo era tirar o “P” da CPMF.