Kassab, o descontrolado

Kassab, o servidor do povo. Kassab, o prefeito da maior cidade do Brasil. Kassab, um prefeito que não recebeu um voto sequer. Kassab, o ex-assessor da famosa gestão de Celso Pitta. Kassab, o ex-vice prefeito da chapa de Serra. Kassab.

Irracional, desequilibrada, estúpida, destemperada, mal educada, grossa é a massa ignara.

Tá.

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O portal Terra confundiu o Criador com a Criatura; em um lapso, promoveu Kassab ao Palácio dos Bandeirantes. Será um insight profético?

O indivíduo, a sociedade e o meio ambiente

Algum tempo atrás, estava participando de um evento sobre educação ambiental, apresentada em seu já clássico viés, em que se privilegia a responsabilização do indivíduo pelos grandes problemas que afligem a sociedade humana do século XXI.

Em dado momento, a palestrante colocou-nos um exemplo simples, próximo de nosso cotidiano, do que podemos fazer para contribuir para um mundo melhor. Dizia ela que, em sua empresa, foi decidido que não mais usaria copos descartáveis no bebedouro, uma vez que o petróleo é um recurso finito e, dessa forma, poderíamos contribuir com um futuro mais justo para todos.

Enquanto isso, a maior parte dos funcionários fazia (ela inclusive), por quatro vezes, o trajeto de ida e volta ao trabalho em possantes automóveis.

Daí fica a questão: a apropriação do ‘politicamente correto’, do ‘bom mocismo’, sem nenhum tipo de reflexão séria sobre o problema ambiental, sempre irá produzir aberrações desse tipo.

Já escrevi aqui mesmo, lá no início do blog, e provocativamente, que o homem não polui o meio ambiente. E não é porque a mulher também polui, como algum engraçadinho poderia concluir; mais do que isso, é através da relação do ser humano com a natureza, mediatizado por uma determinada forma de organização social, que teremos o grau de interferência da sociedade na natureza.

Prova disso é que o mesmo homem consegue, em tempos e espaços diferentes, ter relações com a natureza em diversos graus de apropriação e intervenção. Englobar na entidade ‘homem’ um indígena no Alto Solimões e um madeireiro em Altamira é suficientemente contraditório para não nos exigir mais linhas de argumentação.

Se entendemos, por conseguinte, que a ação do ser humano é orientada por determinadas formas de organização social, colocam-se algumas dificuldades para a biologia na análise dos problemas ambientais. O homem deixa de ser uma espécie animal para assumir toda a complexidade do ‘ser social’.

E que de sociedade falamos hoje? Evidentemente, daquela que valoriza o lucro e incentiva o consumo desenfreado. Daí, é ‘natural’ que haja uma exploração da natureza como jamais vista e que se tenha uma gigantesca produção de lixo.

E como o indivíduo se encaixa nessa história toda? Diz Antonio Gramsci, importante intelectual italiano morto nos porões fascistas de Mussolini, que o indivíduo comum tem poder limitado de transformação social, o que concordamos integralmente. O mesmo não se pode dizer da associação dos indivíduos em determinada causa. Para Gramsci,

o indivíduo pode multiplicar-se por um número imponente de vezes e obter uma mudança bem mais radical do que à primeira vista pode parecer possível.’*

Aqui, e é por demais óbvio, a instância de decisão saltou do indivíduo para o coletivo. A decisão inicial é individual, mas a eficácia dos resultados passa por uma ação coletiva. Não basta uma decisão do indivíduo. O peso está no agir coletivo.

Não se tem dúvida, por outro lado, que os grandes problemas ambientais do século XXI partem de decisões corporativas. George Bush, ao não ratificar o Tratado de Kioto, abalizou sua decisão mais pelos interesses das grandes empresas estadunidenses do que por alguma especulação moral ou ética ambientalista.

Se são as empresas as maiores contribuintes para a poluição ambiental, há de se pensar como responsabilizar uma pessoa jurídica por uma desrespeito às normas morais instituídas na forma da lei. Apesar da impossibilidade de castigo físico, Rodriguo Alves da Silva demonstra que é juridicamente passível de ser responsabilizada uma empresa que causa distúrbio ambiental.

Ora, e a tão propagada Certificação ISO, os selos verdes, a responsabilidade ambiental de que tanto falam as empresas?

Certamente não é por bondade dos empresários, nem por que estão, primeiramente, interessados em um ambiente mais saudável. É lucro mesmo. É aceitação de seus produtos em mercados internacionais, sim.

E toda essa pressão social em torno daquilo que é ecologicamente saudável não seria possível sem a importante atuação de inúmeros movimentos ecológicos sérios que por aí existem.

Já nos ‘finalmentes’, abro parêntesis para generalizar e provocar:

Considerando ainda que os recursos naturais são apropriados de forma desigual, resta ainda saber se a instruída classe média está antenada ecologicamente porque se preocupa com o fim de seus privilégios – uma vez que seu desfrute consumista está em jogo – ou para atenuar o peso na consciência por terem clareza de que boa parte dos recursos naturais é gasto em seu deleite. Pode, eventualmente, ser consciência planetária, também.

Para concluir, um outro exemplo desses discursos histéricos se dá quando discutimos o uso da água. Forçam tanto a barra no alarmismo que, sinceramente, me sinto culpado por beber água. Só não paro de tomar banho…

* A citação foi retirada de ‘Obras Escolhidas’, edição da Martins Fontes, publicada em 1978.

Desnutrição, pobreza e morte. Os índios, hoje

Quem visita as aldeias indígenas do Tocantins sai estarrecido com a miséria presente (a maioria, é bom dizer. Da outra minoria conversamos depois…). Um problema social com graves consequências de saúde pública. Ano passado, dezenove índios morreram de causa desconhecida. Desnutrição, vômitos e diarréia eram alguns dos sintomas apresentados. A divulgação das mortes causou celeuma na FUNAI e na FUNASA, mas pouco foi feito até então. Talvez em função disso, os problemas retornaram. Três crianças apinajés faleceram com os mesmos sintomas nos últimos trinta dias. Como da outra vez, não se sabe qual é a misteriosa doença, mas é evidente o que a causa. A julgar pelo retrospecto, as mortes ocorridas e a ocorrer não irão, novamente, sensibilizar qualquer instituição humanitária. São apenas alguns índios, né?

2007

Resoluções para o ano novo? Não, não. Apenas um sincero desejo de que esse 2007 seja melhor que os dois anos anteriores.

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Não consegui acessar o Youtube. Pensei que fosse problema na conexão, ou vírus no computador. Por fim, deixei de lado, resignado: era só uns videozinhos bestas mesmo.

Desgraçadamente, o problema foi mais sério. A despudorada Cicarelli, agora mocinha corada, conseguiu a proibição do acesso ao site por internautas brasileiros. E daí um problema que era só dela passa a ser um incômodo nacional.

Nunca uma, er, brincadeirinha atrapalhou tanto a diversão dos brasileiros.

Logotipo bastante apropriado, via Um bicho de Rondônia. Teo Victor, o dono do blog, também apresenta formas de burlar a proibição aqui e aqui. Interessante.

Salários salafrários

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Máximo:

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Yvonne propõe um e-mail carinhoso de natal para os congressistas. (Santa) Rita de Cássia, por sua vez, deixou de afiar a língua; preferiu a peixeira. Dizem que a Santa estava demente. Plausível, com um salário de trezentas patacas.

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Viva a caça aos bruxos.

Desejos de rei deposto não devem ser respeitados

Se bem parecer ao rei, saia da sua parte um edito real, e escreva-se entre as leis dos persas e dos medos para que não seja alterado.

Livro de Ester, 1:19

A retirada de um adereço do Palácio Araguaia, sede do governo estadual, transformou-se na maior pendenga ocorrida esse ano em terras tocantinenses (desconsiderando as eleições, evidentemente). Duas esferas de aço metálico dourado, de quase quatro metros de diâmetro, foram retiradas das alas sul e norte do Palácio. Reformá-las era a explicação inicial. Atualmente, é quase consensual que elas não voltam mais – pelo menos na gestão atual.


Palácio Araguaia. Em destaque, uma das esferas.

Endossa a posição do atual governo um dos responsáveis pelo planejamento urbano da capital, o arquiteto Walfredo Antunes. Para ele, a inclusão das esferas foi feita sem o consentimento dos autores do projeto do Palácio, o que fere a lei de direitos autorais. O Palácio foi construído na primeira gestão do ex-governador Siqueira Campos – candidato ao governo derrotado nas últimas eleições no Tocantins.

As duas esferas são inspiradas, entre outros valores simbólicos, na história egípcia (!). Para os egípcios, o deus-sol emanava energia suficiente para proteger ‘seu povo’. Uma maluquice descontextualizada.

Os adendos palacianos expulsos são símbolo de uma era em que determinado representante do já roto coronelismo mandava e desmandava, e seu simples desejo tinha força de lei. Enxovalhar os perdulicários tem muito mais efeito político do que técnico e legal: é o símbolo da ‘desestanilização’ (que Stalin me perdoe…) do Tocantins.

Priva-tize

O Marcelo Tas disse, em texto publicado ontem, que a linha telefônica ficou barata porque as companhias telefônicas estatais foram privatizadas.

Foi mesmo.

Por isso que quero a privatização da Sony. E da (Ferrari) Ford também [não precisa ser tanto…].

Daí eu compro uma TV e um carro decentes.

Viva a privatização!

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Considerando que a Petrobrás e um banco federal podem ser privatizados em uma futura gestão tucana, é salutar pensar se isso fará o combustível e os juros bancários mais baratos.

Doce ilusão!

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Regra básica: o tempo – e a concorrência – faz baratear a tecnologia. Isso é ótimo, para quem tem uma longa vida pela frente.

O outro dia…

O outro dia…

Minha seção estava assim. Os diabinhos (santinhos? Oh, Alvarenga…) esparramados pelo chão lembravam os eleitores em quem não votar. Candidato porcão? ‘Tô fora.

No mais, fui um eleitor conservador. A depender de meu voto ontem, presidente e governador permaneceriam.

Para o governo, fatura liquidada. Para presidente, um merecido segundo turno, depois da trapalhada do Dossiê Verdoin e da ausência de Lula no debate.

As perspectivas de um segundo mandato de Lula não são boas. Mesmo reeleito, tenho lá minhas dúvidas se conseguirá concluir o mandato. As forças golpistas estão cada vez mais evidentes e explícitas.

Collor voltou, Maluf também. Se os aloprados do PT pararem com a traquinagem, a equipe de congressistas 2007/2010 não decepcionará as páginas policiais.