Sarney, o senador maribondo (para registro)


Pichação feita em muro, no Amapá, fotograda e publicada no blog da Alcinéa Cavalcante (blog deletado mediante ação judicial. Novo endereço aqui). Via Idelber e Uol.

Será que a turma do Sarney já derrubou o muro? Ou os assessores já “Apagaram tudo/Pintaram tudo de cinza/A ‘figura’ no muro/Ficou coberta de tinta“, parafraseando Marisa Monte?

Uai…

Nós que passamos apressados/Pelas ruas da cidade/Merecemos ler as letras

Cadê o pichador? Já foi preso? Ah, esse bigodinho… (link para imagem aí no ‘bigodinho’ foi removido por sugestão de meu advogado. Sabe-se lá, né…)

'Vossa Excelência é um safado…'

Entrou no ar o site Excelências, criado e gerido pela Transparência Brasil. Estão lá fichados candidatos à reeleição a Câmara dos Deputados e alguns cidadãos que já exerceram cargos públicos. O site dá um raio x do candidato, listando emendas no orçamento, gastos de gabinete, financiadores da campanha. E o mais legal: informações sobre os processos que o tal sofre ou sofreu, dando links para notícias em que o referido é mencionado em corrupção ou qualquer outra irregularidade.

E aí eu me divirto com detalhes pra lá de curiosos. Não é muito difícil de achá-los. Em poucos minutinhos, vejam só o que garimpei:

O deputado ‘Meu nome é’ Enéas declarou todos os seus parcos bens. Somados, foram R$ 64.662,00, praticamente o mesmo valor gasto em sua autocusteada campanha de 2002 (R$ 65.800,00). Ano passado, dos quase duzentos mil anuais de verbas de gabinete, destinou 120.000,00 para hospedagem, alimentação e locomoção.

No PT, Doutor Rosinha, médico há mais de três décadas, tem um patrimônio de R$ 216.464,00. Adão Pretto, trabalhador rural, possui o primário. Seu patrimônio? Parecidíssimo com o do seu companheiro: R$ 298.000,00. O que equipara o patrimônio de Pretto com seu colega de congresso e partido pode ser seu histórico: líder rural, foi membro fundador do MST e deputado desde 1987.

Ainda no PT, Ângela ‘Pé-de-Valsa’ Guadagni. Possui sete processos. Nenhum deles por excesso de rebolado em ocasiões impróprias.

Somados os bens de Fernando ‘eu sou honesto em meio a tantos larápios’ Gabeira, sai a módica quantia de R$ 59.375,00. Duas motos, uma conta corrente, um lenço e um documento.

Nada supera, porém, os perdulicários que enfeitam a ficha de Paulo ‘Milhão’ Maluf: oito processos em tramitação (muito? Isso corresponde a apenas 2,5% do total de processos já sofridos…), quase quarenta milhões em bens (declarados, ressalta-se). Interessante também são seus financiadores de campanha. Compartilha com Gabeira desinteressados Reai$ da Klabin-Riocell; já o Banrisul, patrocinador do Internacional, doou pra sua campanha R$ 5,50, insuficientes até pra pagar o ingresso do jogo de ontem. Totalmente plausível, uma vez que os bancos estão cada vez mais miseráveis.

***

O site Excelências foi uma indicação da Yvonne.

Salve a seleção…

A repartição já está assim: toda verde-amarela.

Resta-me, desde já, estar psicologicamente preparado para a ingrata tarefa de torcer pela seleção brasileira e, ao mesmo tempo, contra o Galvão Bueno.

***

Véspera da Copa do Mundo de Futebol, em 1998, uma professora divagava em sala de aula sobre seu dilema: estava entre torcedora do Brasil e eleitora de Lula. Argumentava que a vitória do Brasil, seguida da presepada oficial, seria explorada eficientemente por FHC. Em miúdos, a vitória do Brasil significaria a manutenção do segundo mandato do Doutor Fernando.

Nessa lógica, ressentimento e decepção do torcedor relacionariam intimamente com ressentimento e decepção do eleitor, assim como o desempenho da seleção brasileira corresponderia ao resultado eleitoral do candidato da situação.

Errou feio. A complexa realidade nem fez conhecimento dessa curiosa relação. O Brasil, como se sabe, foi humilhado na final, mesmo destino da oposição lulista. E só pra contrariar, a edição seguinte da copa, Brasil conquistando o pentacampeonato, não foi suficiente para garantir a permanência do projeto tucano para o Brasil.

Enfim, uma teoria bocó.

Caso queira dar fé a algum tipo de relação desse naipe, as últimas duas copas oferecem elementos reveladores. Se o hexa vir, Lula sai. Se não, Chuchu ganha. Para o ‘povo do poder’, sorte no jogo, azar na eleição. Às apostas, manos.

Doce violação

Jamais pensei que o ato de alguém bisbilhotar conta bancária alheia seria suficiente para derrubar um ministro de Estado.

Particularmente, não ficaria nem um pouco indignado se a minha conta tivesse seu sigilo violado – apesar de saber que teria dificuldade em explicar o saldo sempre negativo.

Depois disso, todavia, mudei radicalmente de opinião. VIOLEM MINHA CONTA, PELAMORDEDEUS!

Mãe Diná, sócia

Queimei a língua muito cedo. Minha clarividência anda abaixo de zero (vide post do dia 14 de março). Depois da queda do Palocci e do arquivamento do 69º pedido de CPI para investigação da gestão Alckmin em São Paulo, relâmpagos, trovões e tempestades à vista. Salve-se quem puder.

Planalto

Dada a largada à corrida presidencial. Fernando Rodrigues aposta numa eleição rapidíssima, de um só turno. Uma coisa é certa: será menos acirrada e folgadamente menos interessante do que a última. Não há espaço para heróis. Não há mais tanta esperança.