{"id":112,"date":"2006-09-04T23:18:59","date_gmt":"2006-09-04T23:18:59","guid":{"rendered":"http:\/\/julianorosa.org\/?p=112"},"modified":"2006-09-04T23:18:59","modified_gmt":"2006-09-04T23:18:59","slug":"explicacao-karaja-para-%e2%80%98aqueles-dias%e2%80%99","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=112","title":{"rendered":"Explica\u00e7\u00e3o karaj\u00e1 para \u2018aqueles dias\u2019"},"content":{"rendered":"<p>No princ\u00edpio, um pai bastante ciumento tinha uma filha virgem, j\u00e1 em idade de casar. A beleza da filha ati\u00e7ava ainda mais o cioso pai. N\u00e3o queria deix\u00e1-la casar com qualquer um.<\/p>\n<p>O velho era excessivamente criterioso. Pra cada pretendente, colocava uma dura exig\u00eancia, uma prova a ser realizada. Capturar on\u00e7a, recolher uma d\u00fazia de dentes de jacar\u00e9 e atravessar o rio Araguaia, cheio de piranhas, pelado e com o corpo coberto de sangue de boi eram algumas das dific\u00edlimas tarefas dadas aos candidatos a genro.<\/p>\n<p>Todos ficavam pelo caminho. Exceto um, que cumpriu todas as provas e, como pr\u00eamio, exigiu a mo\u00e7a em casamento.<\/p>\n<p>Entretanto, o velho n\u00e3o havia entregado os pontos. Como \u00faltima cartada, palmilhou todo o rio Araguaia na busca de rar\u00edssimas piranhas vermelhas e colocou-as no \u00fatero da filha. O velho avisou o futuro genro (ainda bem!) e entregou a mo\u00e7a em casamento.<\/p>\n<p>Desconfiado, o \u00edndio, meio a contragosto, resolveu pedir ajuda a um velho amigo, um macaco prego. Deu-lhe a possibilidade de ter a primeira noite com a sua esposa. N\u00e3o deu outra. Na primeira investida, as piranhas avan\u00e7aram no macaco e arrancaram-lhe o prep\u00facio (e, por isso, at\u00e9 hoje o macaco prego \u00e9 naturalmente circuncidado).<\/p>\n<p>O sortudo n\u00e3o desanimou. Consultando um velho paj\u00e9, descobriu uma alga (tamb\u00e9m rar\u00edssima) mort\u00edfera para as piranhas. Ap\u00f3s consegui-la, em dois dias de aplica\u00e7\u00e3o conseguiu matar todas as piranhas.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, minto. Ficou uma. Pequenininha e arisca, escondeu-se l\u00e1 no fundo da entrada feminina. At\u00e9 hoje, e de m\u00eas em m\u00eas, em ataque feroz, faz a mulher sangrar pra caramba. N\u00e3o \u00e9 bom mexer com as mo\u00e7as nesse per\u00edodo \u2013 uma vez que a pequena-piranha-interior est\u00e1 muito brava e pode morder qualquer coisa nas proximidades (ui!).<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma lenda karaj\u00e1. Certamente muito did\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o sexual dos pequenos karaj\u00e1. \u201cMeu filho, se cuide. N\u00e3o d\u00ea trela pras meninas, t\u00e1?\u201d Ou: \u201cMinha filha, agora quero que voc\u00ea namore o filho daquele cacique rabugento&#8230;\u201d<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Ontem foi o \u00faltimo dia dos Jogos Ind\u00edgenas do Tocantins, realizados em Palmas. O evento contou com representantes das sete maiores etnias ind\u00edgenas presentes em territ\u00f3rio tocantinense. Uma \u00f3tima oportunidade para conhecer a diversidade cultural do \u00edndio brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No princ\u00edpio, um pai bastante ciumento tinha uma filha virgem, j\u00e1 em idade de casar. A beleza da filha ati\u00e7ava ainda mais o cioso pai. N\u00e3o queria deix\u00e1-la casar com qualquer um. O velho era excessivamente criterioso. Pra cada pretendente, colocava uma dura exig\u00eancia, uma prova a ser realizada. 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