{"id":226,"date":"2007-09-19T19:49:57","date_gmt":"2007-09-19T22:49:57","guid":{"rendered":"http:\/\/julianorosa.org\/?p=226"},"modified":"2007-09-19T19:49:57","modified_gmt":"2007-09-19T22:49:57","slug":"ocas-e-responsabilidade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=226","title":{"rendered":"Ocas e responsabilidade social"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi a primeira vez que o vi. Com um colete cinza, grafado OCAS, vendia revista. N\u00e3o dei muita bola. A bem da justi\u00e7a: me comporto assim com qualquer tipo de vendedor de letrinhas sobre papel. Livros, enciclop\u00e9dias, b\u00edblias, cole\u00e7\u00f5es da National Geographic Magazine? N\u00e3o senhor, obrigado.<\/p>\n<p>Pois \u00e9. Hoje foi um dia diferente. Eu diria ao rapaz &#8211; pensei &#8211; que pagaria a revista, desde que n\u00e3o sa\u00edsse mais que tr\u00eas reais. Bobagem minha; recebi a revista por tr\u00eas verdinhas.<\/p>\n<p>Acontece que a <em>revista<\/em>, depois soube, n\u00e3o \u00e9 uma<em> revista a mais<\/em>: publicada pela <a href=\"http:\/\/www.ocas.org.br\/\">Organiza\u00e7\u00e3o Civil de A\u00e7\u00e3o Social (OCAS)<\/a>, tem todo um projeto social por tr\u00e1s. Funciona mais ou menos assim: o morador de rua compra por um real cada exemplar. Fica, portanto, com os outros dois reais. O objetivo da revista, conforme expresso na p\u00e1gina de entrada,<\/p>\n<blockquote><p><em>\u00e9 fornecer instrumentos de resgate da auto-estima dos vendedores, criando mecanismos para que o indiv\u00edduo se torne seu pr\u00f3prio agente de transforma\u00e7\u00e3o, de forma que Ocas&#8221; seja um ponto de passagem, e n\u00e3o o destino definitivo.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A revista, em si, \u00e9 melhor do que muitas que aparecem, com dobrado valor, em bancas tradicionais. A edi\u00e7\u00e3o atual (setembro\/outubro) tem, como reportagem de capa, uma entrevista com o cartunista Ziraldo. Tamb\u00e9m \u00e9 entrevistado, l\u00e1 no finalzinho da revista, o escritor cubano Pedro Juan Guti\u00e9rrez. Com vinte e um livros publicados, apenas dois circulam oficialmente em Cuba.  Perd\u00f5es ao cartunista brasileiro, mas acho que a capa deveria ser com o camarada Guti\u00e9rrez. Provocador, o cubano responde \u00e0s quest\u00f5es com fina ironia. Vejam:<\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Ocas&#8221;: Por meio de seus livros, muita gente teve a possibilidade de ver uma Cuba pouco ou quase nada mostrada. O que acha disso?<\/strong><br \/>\nPedro Juan Guti\u00e9rrez &#8211; Sim, para muitos \u00e9 uma Cuba desconhecida, e uma Havana desconhecida tamb\u00e9m. Toda cidade cont\u00e9m muitas cidades. S\u00e3o Paulo, por exemplo, \u00e9 um monstro muito mais terr\u00edvel e devorador do que Havana.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Ocas&#8221;: Porque acha que tantas pessoas querem sair de Cuba?<\/strong><br \/>\nPJG &#8211; Eu nunca pensei em sair de Cuba. Gosto de viver ali, em Havana, em meu bairro. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 dif\u00edcil e as pessoas procuram outros lugares, como acontece com muitos brasileiros, colombianos, equatorianos, bolivianos etc. As pessoas sempre procuram um lugar melhor onde viver. Isso \u00e9 universal.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>H\u00e1 de se concordar, depois de lida a entrevista, com a frase inicial da reportagem, assinada por Morena Madureira: <em>Para Pedro Juan Guti\u00e9rrez, Cuba tamb\u00e9m \u00e9 aqui. Ou o Brasil tamb\u00e9m \u00e9 l\u00e1. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi a primeira vez que o vi. Com um colete cinza, grafado OCAS, vendia revista. N\u00e3o dei muita bola. 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