{"id":231,"date":"2007-11-13T11:45:30","date_gmt":"2007-11-13T14:45:30","guid":{"rendered":"http:\/\/julianorosa.org\/?p=231"},"modified":"2007-11-13T11:45:30","modified_gmt":"2007-11-13T14:45:30","slug":"o-olhar-do-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=231","title":{"rendered":"O olhar do professor"},"content":{"rendered":"<p>Como o professor v\u00ea a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mat\u00e9ria de capa da revista Nova Escola desse m\u00eas. Em parceria com o IBOPE, quinhentos question\u00e1rios foram aplicados em todas as capitais brasileiras. O resultado apresenta algumas contradi\u00e7\u00f5es &#8211; e a reportagem as toma como fio condutor.<\/p>\n<p>Dessas contradi\u00e7\u00f5es, est\u00e1 o reconhecimento da qualidade dos cursos de forma\u00e7\u00e3o inicial (64% consideram boa), ao mesmo tempo em que a metade dos entrevistados afirmam que n\u00e3o est\u00e3o preparados para o trabalho pedag\u00f3gico. \u00c9 como se os m\u00e9dicos dissessem que s\u00e3o bem formados mas, ao mesmo tempo, reconhecessem que n\u00e3o est\u00e3o preparados para clinicar.<\/p>\n<p>Parte disso &#8211; \u00e9 minha hip\u00f3tese &#8211; decorre do pouqu\u00edssimo contato que os cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores mant\u00eam com a escola. Quando h\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o, essa \u00e9 profundamente hier\u00e1rquica, do tipo &#8220;aqui, na universidade, n\u00f3s produzimos saberes; a\u00ed voc\u00eas tem a miss\u00e3o de reproduzir&#8221;. E, se assim for pensada a educa\u00e7\u00e3o, de fato a vulgariza\u00e7\u00e3o do conhecimento correr\u00e1 a largo.<\/p>\n<p>A universidade n\u00e3o conhece, por experi\u00eancia, a escola. Os professores universit\u00e1rios, <em>grosso modo<\/em>, n\u00e3o sabem como funciona a microespacialidade de uma aula do ensino fundamental e m\u00e9dio, com todas as suas vari\u00e1veis. T\u00e1, isso n\u00e3o \u00e9 fundamental; mas, em muitas situa\u00e7\u00f5es, o que a gente v\u00ea \u00e9 a falta de experi\u00eancia docente nesses n\u00edveis de ensino refletir em bobagens ou generalidades ditas continuamente.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio caso da Nova Escola reflete o desconhecimento, por muitos especialistas, do que se passa nas institui\u00e7\u00f5es de ensino. H\u00e1 um certo tom de surpresa, no decorrer da reportagem, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s respostas colhidas dos professores. Tivesse uma sintonia entre a revista e seu p\u00fablico alvo, n\u00e3o haveria motivos para tanto.<\/p>\n<p>Nesse caso, o professor \u00e9 o &#8220;Outro&#8221;. A revista n\u00e3o dialoga com os discursos docentes, mas com os especialistas. H\u00e1, nesse modelo, uma concep\u00e7\u00e3o entremeada em todas as frases da reportagem: quem deve pensar as pol\u00edticas educacionais e o papel do professor n\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio. \u00c9 o especialista. Exemplo maior n\u00e3o h\u00e1: na mesma edi\u00e7\u00e3o em que anuncia os ganhadores do pr\u00eamio nacional Victor Civita, a mesa redonda de an\u00e1lise do discurso do professor n\u00e3o consta nenhum representante da categoria. Sequer lembraram dos ganhadores do pr\u00eamio que, metaforicamente, representam o que h\u00e1 de melhor nas salas de aula brasileiras.<\/p>\n<p>~*~<\/p>\n<p>Acertadamente, a reportagem toca em uma ferida aberta no educador do s\u00e9culo XXI: a aus\u00eancia da fam\u00edlia na escola. Isso \u00e9 um fato. E n\u00e3o se nega fatos, obviamente. Ora, resta saber, ent\u00e3o, quais s\u00e3o as novas estrat\u00e9gias que a escola assumir\u00e1. Pelo menos o que est\u00e1 claro \u00e9 que a escola, em seu modelo tradicional, est\u00e1 falida. Em um tempo n\u00e3o t\u00e3o muito distante, quilos de livros apareciam para receituar prescri\u00e7\u00f5es infal\u00edveis para sucesso em sala de aula. Essas f\u00f3rmulas, pelo menos, est\u00e3o descartadas. Ali\u00e1s, as f\u00f3rmulas, <em>per si<\/em>, ficaram desacreditadas, felizmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o professor v\u00ea a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mat\u00e9ria de capa da revista Nova Escola desse m\u00eas. Em parceria com o IBOPE, quinhentos question\u00e1rios foram aplicados em todas as capitais brasileiras. O resultado apresenta algumas contradi\u00e7\u00f5es &#8211; e a reportagem as toma como fio condutor. 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