{"id":267,"date":"2008-06-23T06:35:02","date_gmt":"2008-06-23T06:35:02","guid":{"rendered":"http:\/\/julianorosa.org\/?p=267"},"modified":"2011-10-24T12:44:48","modified_gmt":"2011-10-24T12:44:48","slug":"ainda-o-plagio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=267","title":{"rendered":"Ainda o pl\u00e1gio"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 expressei <a href=\"http:\/\/julianorosa.org\/?p=175\">aqui<\/a> minha opini\u00e3o sobre o pl\u00e1gio. De l\u00e1 pra c\u00e1, n\u00e3o mudei muito. Talvez por isso, dois fatos recentes foram suficientemente relevantes para ocupar minha cabe\u00e7a com inc\u00f4modas caraminholas. Segue a descri\u00e7\u00e3o dos acontecidos.<\/p>\n<p align=\"center\">~*~<\/p>\n<p><strong>Fato I.<\/strong><\/p>\n<p>Trabalhei desde 2005 com forma\u00e7\u00e3o continuada de professores da rede p\u00fablica. Dentre as atividades desenvolvidas estavam a capacita\u00e7\u00e3o de professores e o desenvolvimento de material did\u00e1tico instrucional.<\/p>\n<p>Mudando recentemente de institui\u00e7\u00e3o, manti ainda v\u00ednculos de amizade com alguns colegas, o que permitia &#8211; e permite &#8211; troca de favores m\u00fatuos.<\/p>\n<p>Numa dessas situa\u00e7\u00f5es, recebi um pedido, vindo da Colega A, para revisar um m\u00f3dulo did\u00e1tico para um encontro destinado a capacita\u00e7\u00e3o de professores de Geografia. No e-mail, a observa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;<em>Como estou no PAR e sempre viajando foi solicitado que (colega B) elaborasse o material da Forma\u00e7\u00e3o  Continuada. Assim, segue anexo o material para que voc\u00ea avalie e d\u00ea suas contribui\u00e7\u00f5es, at\u00e9 amanh\u00e3. Ok?<\/em>&#8220;<\/p><\/blockquote>\n<p>Pois bem.<\/p>\n<p>Depois do primeiro olhar, fui acometido de uma forte sensa\u00e7\u00e3o de &#8220;J\u00e1 vi isso antes&#8221;. Com a ajuda do todo-poderoso Google, localizei dois textos: um estava no <a href=\"http:\/\/www.fe.unicamp.br\/ensino\/graduacao\/downloads\/Capitulos\/GeoProesfLugarEstudoDoMeio.doc\">site da UNICAMP<\/a>, outro, elaborado por professores da PUC-RJ, no <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/seb\/arquivos\/pdf\/formcont_puc_geog.pdf\">site do MEC<\/a>. N\u00e3o havia nenhuma refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica no texto em minhas m\u00e3os, indicando autoria exclusiva da Colega B.<\/p>\n<p>Feita a constata\u00e7\u00e3o da descarada compila\u00e7\u00e3o, respondi o e-mail alertando para os riscos que esse procedimento ilegal poderia causar a institui\u00e7\u00e3o. Sugeri, ainda, dada proximidade do encontro, que o mesmo poderia ser realizado com o material j\u00e1 fornecido pelo MEC, dispensando, nesse caso, a necessidade de elabora\u00e7\u00e3o de material pr\u00f3prio. Colega A teve ci\u00eancia da gravidade e devolveu, para corre\u00e7\u00e3o, o material para a Colega B, com minhas observa\u00e7\u00f5es. Uma semana depois, recebo da plagiadora o seguinte e-mail, acompanhado, em anexo, de uma nova vers\u00e3o do material (que, diga-se de passagem, mesmo sendo totalmente reformulado, ainda n\u00e3o se livrou dos mesmos v\u00edcios da prmeira vers\u00e3o do m\u00f3dulo):<\/p>\n<blockquote><p><em>Colega,<\/em><\/p>\n<p><em> Encaminho em anexo o m\u00f3dulo reformulado.Lembrando que a reformula\u00e7\u00e3o aconteceu antes das observa\u00e7oes feitas por voc\u00ea, de forma desumana.<\/em><\/p>\n<p><em>Quanto as considera\u00e7\u00f5es feitas,foram de total desapre\u00e7o e desrespeito para com minha pessoa. Saber julgar \u00e9 muito f\u00e1cil,dar sugest\u00f5es inovadoras \u00e9 que \u00e9 dif\u00edcil. \u00c9 preciso ter compet\u00eancia humana para se expressar. Ah! a sugest\u00e3o do colega n\u00e3o tem nada de novo e criativo, como mesmo sugeriu as t\u00e9cnicas do prof. \u00c1lvaro dos Par\u00e2metros em A\u00e7\u00e3o, ou seja, c\u00f3pia do material. Seria apropriado e conveniente que se dirigisse diretamente a mim. Que eu saiba n\u00f3s somos da mesma categoria de profissionais.<\/em><\/p>\n<p><em>Quanto ao material plagiado, n\u00e3o cometeria o erro de mant\u00ea-lo sem citar a autoria do mesmo.Quanto aos recortes, podemos observar quantos recortes foram feitos na Proposta  Curricular do Ensino M\u00e9dio, n\u00e3o havendo nenhuma puni\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Aguardo os apontamentos do M\u00f3dulo.   <\/em><\/p>\n<p><em>Sem mais, _______ (Colega B).<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Sim, dei-me o trabalho de respond\u00ea-la. N\u00e3o com as palavras quentes que eu gostaria de ter usado&#8230;<\/p>\n<p>~*~<\/p>\n<p><strong>Fato 2.<\/strong><\/p>\n<p>Fulana de tal \u00e9 membro da Academia de Letras da cidade onde morava &#8211; e que, como toda Academia de Letras, est\u00e1 lotada de gente que possui uma s\u00e9rie de predicados, menos voca\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Sol\u00edcita, participa ativamente da agita\u00e7\u00e3o cultural da cidade. Por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Mulher (edi\u00e7\u00e3o 2008), recitou &#8211; e distribuiu a cada um dos presentes na reparti\u00e7\u00e3o em que trabalhava &#8211; a seguinte poesia, supostamente de sua lavra:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/83006038@N00\/2601129200\/\" title=\"mulher por juliano2006, no Flickr\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm4.static.flickr.com\/3120\/2601129200_5a279b31a8.jpg\" alt=\"mulher\" height=\"500\" width=\"331\" \/><\/a><\/p>\n<p>Curioso, recorri mais uma vez ao Google. Estava l\u00e1: um dos mais plagiados poemas da internet brasileira (exemplos? <a href=\"http:\/\/mensagens.hlera.com.br\/mulheres\/meu-nome-e-mulher\">Aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/morangocomchantily.spaceblog.com.br\/77689\/Meu-nome-e-MULHER\/\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.prosaepoesia.com.br\/mostra.asp?cod=1680\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/skirjner.blogspot.com\/2007\/07\/meu-nome-mulher.html\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.celipoesias.net\/mulher\/o_meu_nome_e_mulher.htm\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.mensagensvirtuais.com.br\/msgs.php?id=26351\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/zanjinha.blogs.sapo.pt\/48345.html\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.triplov.com\/Venda_das_Raparigas\/Mulher\/Moacyr\/index.htm\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/tylalynda.blogspot.com\/2008\/01\/meu-nome-mulher.html\">aqui<\/a>. A verdadeira autora do poema, Fatima Aparecida Santos de Souza &#8211; codinome Perola Neggra, comentou sobre o pl\u00e1gio de seu poema <a href=\"http:\/\/www.alefelix.com.br\/arquivo\/2004\/05\/vale_a_pena_ter_um_blog.html\">aqui<\/a>). Anexando o poema da escritora, enviei e-mail a um dos membros da Academia. Recebi resposta? N\u00e3o. Camaradagem, corporativismo ou m\u00e1-f\u00e9? Nunca saberei&#8230;<\/p>\n<p align=\"center\">~*~<\/p>\n<p><strong>Concluindo: o Google apadrinhando a patifaria<\/strong><\/p>\n<p>A comodidade proporcionada pelo Google aos pregui\u00e7osos de plant\u00e3o tem proporcionado esses fatos regularmente. Botar o tico e o teco funcionando \u00e9 entendido como falta de esperteza &#8211; j\u00e1 que o <a href=\"http:\/\/google.com.br\">sabe-tudo<\/a> lhe d\u00e1 a obra pronta, com honras e elogios.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria toda deixa a internet semelhante ao padrinho que, carinhoso com o afilhado, oferece-lhe muitas possibilidades de uma vida melhor e o fedelho opta por um caminho mais f\u00e1cil, nem sempre observando minimamente o necess\u00e1rio respeito ao outro e as regras elementares de conviv\u00eancia em sociedade.  O Google jamais pode ser considerado pai dos pl\u00e1gios, mas, com certeza, apadrinha milhares de patifes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 expressei aqui minha opini\u00e3o sobre o pl\u00e1gio. De l\u00e1 pra c\u00e1, n\u00e3o mudei muito. Talvez por isso, dois fatos recentes foram suficientemente relevantes para ocupar minha cabe\u00e7a com inc\u00f4modas caraminholas. Segue a descri\u00e7\u00e3o dos acontecidos. ~*~ Fato I. Trabalhei desde 2005 com forma\u00e7\u00e3o continuada de professores da rede p\u00fablica. Dentre as atividades desenvolvidas estavam<span class=\"excerpt-ellipsis\">&#8230;<\/span><\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=267\" itemprop=\"url\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,11],"tags":[],"class_list":["post-267","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geografia","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=267"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":602,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/267\/revisions\/602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}