{"id":37,"date":"2005-09-15T01:59:14","date_gmt":"2005-09-15T01:59:14","guid":{"rendered":"http:\/\/julianorosa.org\/?p=37"},"modified":"2005-09-15T01:59:14","modified_gmt":"2005-09-15T01:59:14","slug":"filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=37","title":{"rendered":"Filhos"},"content":{"rendered":"<p>Era m\u00e9dico, como o <a href=\"http:\/\/guimarob.blog.uol.com.br\/\">Roberson<\/a>. Vivia nos dourados anos cinq\u00fcenta \u2013 que no interior de Goi\u00e1s n\u00e3o eram t\u00e3o glamourosos assim. Aos quarenta e cinco anos, Isaque contabilizava nove filhos. Como \u00fanico m\u00e9dico da regi\u00e3o, muito trabalhava \u2013 apesar da concorr\u00eancia quase desleal das parteiras e curandeiros.<\/p>\n<p>Sua casa n\u00e3o era muito luxuosa. Mas para os padr\u00f5es da cidade, uma mans\u00e3o. A moradia era bem localizada: de frente a pra\u00e7a matriz, local preferido da crian\u00e7ada para as brincadeiras.<\/p>\n<p>De tardezinha, a molecada s\u00f3 parava a algazarra quando dona Ciana, a esposa do cl\u00ednico, convidava toda a gurizada para se deliciarem com os a\u00e7ucarados nhoques acompanhados pelo suco de lim\u00e3o. E l\u00e1 ia o bando \u2013 quase a metade sangue de Ciana.<\/p>\n<p>Vez por outra, Isaque chegava junto com a dispers\u00e3o dos coleguinhas de seus filhos. Ciana era danada de prevenida. Sabia que o marido chegava quase sempre cansado \u2013 e queria poup\u00e1-lo de inconvenientes. Depois dos quarenta, o marido come\u00e7ou a reclamar de leves enxaquecas ap\u00f3s os expedientes \u2013 o que Ciana n\u00e3o conseguia entender, pois para ela m\u00e9dicos sempre deveriam estar com sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em um desses dias de forte dor de cabe\u00e7a, coincidiu de entrar pela sala enquanto Ciana oferecia as saborosas quitandas aos moleques, sentados em torno de uma pequena mesa. Desabou no sof\u00e1, fechou os olhos, esfregou as m\u00e3os na t\u00eampora, e assim ficou durante v\u00e1rios minutos.<\/p>\n<p>Quando abriu os olhos, a crian\u00e7ada continuava sentada \u00e0 mesa. Na bandeja de nhoques s\u00f3 havia farelinhos. Mas a jarra de suco ainda tinha o suficiente para encher meio copo. Levantou do sof\u00e1, parou pr\u00f3ximo a mesa, encheu o copo e sorveu de um s\u00f3 gole o suco.<\/p>\n<p>Arrumou um jeito de sentar perto da esposa. Frente a ambos, um dos meninos abaixou a cabe\u00e7a assim que Isaque lhe firmou o olhar.<\/p>\n<p>&#8211; <em>Olha, menino<\/em> \u2013 falou firme &#8211; <em>j\u00e1 est\u00e1 tarde, est\u00e1 passando de hora de voc\u00ea ir para sua casa<\/em>.<\/p>\n<p>&#8211; <em>Isaque <\/em>\u2013 foi a resposta murmurada e surpresa da esposa \u2013 <em>esse \u00e9 o Jo\u00e3o Manoel, o nosso ca\u00e7ula!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era m\u00e9dico, como o Roberson. Vivia nos dourados anos cinq\u00fcenta \u2013 que no interior de Goi\u00e1s n\u00e3o eram t\u00e3o glamourosos assim. Aos quarenta e cinco anos, Isaque contabilizava nove filhos. Como \u00fanico m\u00e9dico da regi\u00e3o, muito trabalhava \u2013 apesar da concorr\u00eancia quase desleal das parteiras e curandeiros. Sua casa n\u00e3o era muito luxuosa. Mas para<span class=\"excerpt-ellipsis\">&#8230;<\/span><\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=37\" itemprop=\"url\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-37","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-rascunho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=37"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=37"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=37"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=37"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}