{"id":43,"date":"2005-09-27T02:04:09","date_gmt":"2005-09-27T02:04:09","guid":{"rendered":"http:\/\/julianorosa.org\/?p=43"},"modified":"2005-09-27T02:04:09","modified_gmt":"2005-09-27T02:04:09","slug":"taxonomia-de-julian-bloom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=43","title":{"rendered":"Taxonomia de Julian Bloom"},"content":{"rendered":"<p><font color=\"#000000\"><\/font>Um dos primeiros post&#8217;s que li no excelente blog do <u><a href=\"http:\/\/verbeat.org\/blogs\/afonsochato\">Afonso<\/a><\/u> era sobre a deliciosa e dif\u00edcil conviv\u00eancia entre os colegas de profiss\u00e3o (esse, especificamente, foi publicado no dia 02 de agosto). Entre aqueles que tem o trabalho desenvolvido de forma essencialmente coletiva, essa conviv\u00eancia ainda \u00e9 mais <em>&#8216;turbulenta<\/em>&#8216;.<\/p>\n<p>J\u00e1 luto contra a tenta\u00e7\u00e3o do \u00f3cio por quase uma d\u00e9cada, sempre em fun\u00e7\u00f5es eminentemente p\u00fablicas. Nesse tempo, tenho catalogado muitos coleguinhas que s\u00e3o, <em>hum<\/em>, trabalhosos. A maior parte de meus pares, no entanto, me deixou uma incontida saudade. Os <em>outros<\/em> &#8211; apesar de serem genericamente \u2018<em>outros<\/em>\u2019 &#8211; se subdividem em classes e subclasses numerosas \u2013 afinal, o bom \u00e9 sempre bom; o mau \u00e9 mau cada qual a seu modo&#8230; Resumidamente, consegui v\u00ea-los (ah, como em um filme&#8230;) em sete tipos especiais:<\/p>\n<p><strong>1. \u201cSossegado\u201d<\/strong>: D\u00ea-lhe um susto e espere v\u00ea-lo gritar semana que vem. Morte s\u00fabita como <em>causa mortis<\/em> \u00e9 algo impens\u00e1vel. Dialogar com esse tipo \u00e9 um verdadeiro exerc\u00edcio de paci\u00eancia. N\u00e3o raro, aproveita desse aspecto <em>c\u00e2ndido<\/em>, digamos, para se escorar nos colegas. \u00c9 mestre em morcegar.<\/p>\n<p><strong>2. \u201cCalad\u00e3o\u201d:<\/strong> n\u00e3o te explica nada sobre aquele servi\u00e7o a ser feito, mas olha com bastante interesse seu desenvolvimento. Jamais fala o que pode estar certo ou errado DURANTE O TRABALHO. Quando terminado, receita um punhado de defeitos que aconteceu. Esconde-se sob uma carapa\u00e7a mal humorada. Nunca espere coopera\u00e7\u00e3o desse sujeito.<\/p>\n<p><strong>3. \u201cCurioso\u201d:<\/strong> quer saber de tudo o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo. Possui uma curiosidade m\u00f3rbida. Para quem est\u00e1 de fora, at\u00e9 d\u00e1 por chefe esse sujeito, tamanha \u00e9 sua disposi\u00e7\u00e3o em coletar informa\u00e7\u00f5es e se inteirar da situa\u00e7\u00e3o. Geralmente esse tipo \u00e9 pouco produtivo. Sua energia \u00e9 gasta basicamente em coletar informa\u00e7\u00f5es. Se estiver empregado em algum Sistema Secreto de Informa\u00e7\u00e3o, esse tipinho progride. Como n\u00e3o h\u00e1 tanto emprego na Ag\u00eancia Brasileira de Informa\u00e7\u00f5es e a CIA ou o FBI ainda n\u00e3o tem uma se\u00e7\u00e3o oficial no Brasil, esse perfil floresce com sucesso apenas no servi\u00e7o p\u00fablico. <u><a href=\"http:\/\/smarshadeofblue.com\/\">Ag\u00fcentem<\/a><\/u>, <u><a href=\"http:\/\/alfredneuman.blogspot.com\/\">Barnab\u00e9s<\/a><\/u>!<\/p>\n<p><strong>4. \u201cOnipresente\u201d:<\/strong> N\u00e3o h\u00e1 um colega aqui que n\u00e3o se inclua no perfil anterior. Nessa classe est\u00e1 a maioria dos &#8220;curiosos&#8221;. Os \u201cOni\u201d, para os \u00edntimos, s\u00e3o bastante espa\u00e7osos. Falam muito. Muito mesmo. Inverte o ditado &#8220;Pensar pra falar&#8221;. Quando esse tipinho falta no servi\u00e7o ou vai ao banheiro, n\u00e3o \u00e9 raro todo mundo suspirar aliviado (infelizmente, pessoas com esse perfil faltam apenas em ocasi\u00f5es raras, do tipo um-m\u00edssil-neozeland\u00eas-destruindo-a-Ponte-Rio-Niter\u00f3i. Quanto a ir ao banheiro, parecem ter rins e intestinos espetacularmente flex\u00edveis).<strong>5. &#8220;Invejoso&#8221;:<\/strong> esse tipo aparece em qualquer fun\u00e7\u00e3o. De servi\u00e7os gerais aos poderosos Conselhos Executivos de multinacionais. Adoram puxar o tapete do colega. Geralmente s\u00e3o tamb\u00e9m puxa-sacos (vide tipinho n\u00ba 4). Prestam muito mais aten\u00e7\u00e3o em voc\u00ea do que no pr\u00f3prio trabalho. No entanto, procura ser dissimulado. Como quer crescer \u00e0 custa dos outros, sempre procura manter sua imagem de bom mocinho. Nos bastidores, por\u00e9m, sua l\u00edngua \u00e9 ferina e seu comportamento \u00e9 of\u00eddico. Apronta o maior dos rebuli\u00e7os e ainda tenta passar uma imagem de anjo. Valha-me Deus&#8230;<br \/>\n<strong>6. &#8220;Puxa-saco&#8221;:<\/strong> pensa que estar do lado do chefe \u00e9 o passo fundamental para ser presidente da ONU. Almeja alto. \u00c9 eficiente. Geralmente tem a antipatia dos colegas. Enquanto est\u00e1 o atual chefe, sua vida pode at\u00e9 estar arrumada. Complica quando chega chefe novo. Mas como esse tipinho muda de time como muda de roupa, em segundos j\u00e1 est\u00e1 puxando saco do novo superior. \u00c9 a pior forma de se dar bem no servi\u00e7o.<strong>7. &#8220;Pessimista&#8221;:<\/strong> se voc\u00ea precisa de palavrinhas para deixar de boa sua auto-estima, por favor, fique a quil\u00f4metros desse tipo. Avise-o que voc\u00ea ganhou R$5.000.000,00 na loteria, ele te lembrar\u00e1 do enorme valor a ser pago ao Fisco. Lhe dir\u00e1 ainda que aumentar\u00e1 em 325% o risco de ser assaltado, 560% de ser v\u00edtima de latroc\u00ednio. Dir\u00e1 ainda que \u00e9 uma vergonha alguns concentrarem tanta grana quando existem milhares e milhares de crian\u00e7as passando fome. Agora, se voc\u00ea deseja converter esse &#8220;pessimista&#8221; em um bacaninha &#8220;otimista&#8221;, cede seu pr\u00eamio a ele&#8230;<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>Se identificou algum colega, parab\u00e9ns. Voc\u00ea \u00e9 normal. Se conseguiu identificar algum coleguinha em mais de tr\u00eas tipos, agrade\u00e7a aos c\u00e9us. N\u00e3o h\u00e1 limbo adequado como est\u00e1gio para sua chegada ao para\u00edso. Despreocupe-se: as chances s\u00e3o remotas de se divertir l\u00e1 embaixo, mergulhado no lago de enxofre junto com o Coisa-Ruim. Lembran\u00e7as a S\u00e3o Pedro, OK?<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p><em>P.S. 1: a falta de auto-cr\u00edtica me impossibilitou de identificar outro tipo de colega chato. Os <\/em>chat\u00f3logos<em> provaram, por a + b, que os<\/em> observadores de chatos <em>s\u00e3o os maiores dessa esp\u00e9cie j\u00e1 encontrados na natureza (e isso que \u00e9 auto-conhecimento por excel\u00eancia). N\u00e3o obstante, foram os \u00faltimos a serem catalogados &#8211; talvez por absoluta falta de espelho. A t\u00e1tica usada por esse grupo \u00e9 conhecida como<\/em> &#8216;create a scarecrow<em>&#8216;. Sim, um disfarce para a chatice, impl\u00edcita em quase todas as sete qualidades anteriores. Em doses microm\u00e9tricas, mod\u00e9stia \u00e0 parte.<\/em><\/p>\n<p><em>P.S. 2: Nessa taxonomia, meu amigo <u><a href=\"http:\/\/www.verbeat.org\/blogs\/afonsochato\/\">Afonso<\/a><\/u> n\u00e3o justifica seu famoso ep\u00edteto.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos primeiros post&#8217;s que li no excelente blog do Afonso era sobre a deliciosa e dif\u00edcil conviv\u00eancia entre os colegas de profiss\u00e3o (esse, especificamente, foi publicado no dia 02 de agosto). Entre aqueles que tem o trabalho desenvolvido de forma essencialmente coletiva, essa conviv\u00eancia ainda \u00e9 mais &#8216;turbulenta&#8216;. J\u00e1 luto contra a tenta\u00e7\u00e3o do<span class=\"excerpt-ellipsis\">&#8230;<\/span><\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=43\" itemprop=\"url\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-43","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-besteirol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=43"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=43"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=43"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=43"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}