{"id":564,"date":"2010-11-08T21:23:00","date_gmt":"2010-11-08T21:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=564"},"modified":"2010-11-08T21:23:00","modified_gmt":"2010-11-08T21:23:00","slug":"universidades-e-seus-concursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=564","title":{"rendered":"Universidades e seus concursos"},"content":{"rendered":"<p>Recebi, algum tempo atr\u00e1s, um apaixonado e-mail de uma candidata inconformada com o resultado de um concurso p\u00fablico de uma universidade federal. Reclamava, entre outras coisas, da extrema subjetividade que campeia nesses concursos. <\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, tudo bem. Todo mundo tem direito \u2013 e obriga\u00e7\u00e3o, nesse caso \u2013 de denunciar e espernear quando se sentem injusti\u00e7ados. Mas vamos, prosseguindo, divagar sobre algumas curiosidades desse esperneio. <\/p>\n<p>De imediato, o que me espanta \u00e9 o grito de uma doutora. Em tese, pressup\u00f5e que a mesma viveu por longos e longos anos em ambientes universit\u00e1rios. Por conseguinte, \u00e9 de se assombrar o fato de que, somente agora, a candidata se deu conta que os processos seletivos em universidades s\u00e3o, em sua maioria, bastante\u2026 subjetivos. <\/p>\n<p>Ora, comecemos pelas coisas mais simples: a sele\u00e7\u00e3o para alunos bolsistas. No geral, o professor convida um aluno, e o aspecto subjetivo \u2013 a empatia entre professor e aluno \u2013 \u00e9 um dos aspectos fundamentais nessa escolha. Isto \u00e9, o desempenho acad\u00eamico \u00e9 insuficiente para o sucesso do estudante. <\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o basta voc\u00ea ser uma promessa de g\u00eanio. Se constar tra\u00e7os de emp\u00e1fia, arrog\u00e2ncia ou qualquer outro atributo que n\u00e3o condiz com a vers\u00e3o idealizada de um bom estudante, pior pra voc\u00ea. <\/p>\n<p>Para as sele\u00e7\u00f5es posteriores, o grau de subjetividade diminui um pouco, \u00e9 verdade, mas continua ainda sendo um crit\u00e9rio relevante. Para mestrados e doutorados, o seu curr\u00edculo, projeto e desenvoltura numa prova escrita s\u00e3o pouco quando se tem uma entrevista como etapa de sele\u00e7\u00e3o. \u00c9 nessa etapa que, novamente, a subjetividade conta. O hist\u00f3rico de parceria na vida acad\u00eamica entre professor e candidatos \u00e9, portanto, fundamental.  <\/p>\n<p>Resumindo: ao concorrer, em mestrados e doutorados, com alunos que j\u00e1 foram orientados ou tiveram qualquer outra rela\u00e7\u00e3o acad\u00eamica com o professor, o resultado n\u00e3o oferecer\u00e1 surpresa. <\/p>\n<p>Mas, evidentemente, a doutora \u2013 aquela, l\u00e1 do come\u00e7o do texto \u2013 \u201cdesconhece\u201d toda a subjetividade que povoa a universidade. Como boa brasileira, s\u00f3 reclama quando a ordem das coisas a prejudica. At\u00e9 alcan\u00e7ar seu t\u00edtulo de doutora, todos esses procedimentos eram \u201cnaturais\u201d. Mas quando resolve fazer concursos fora de seu casulo habitual (as universidades que convalidam seus t\u00edtulos), a\u00ed a boca geme e grita. <\/p>\n<p>Exemplo bastante simples desse processo viciado \u00e9 o fato de que as universidades t\u00eam, em seus quadros, professores que se graduam e se doutoram na mesma institui\u00e7\u00e3o. S\u00e3o favorecidos por essas \u201cboas pol\u00edticas\u201d durante todo seu percurso acad\u00eamico.  <\/p>\n<p>Reclamar apenas quando o \u201csistema\u201d lhe prejudica \u00e9 bastante casu\u00edstico e, no limite, fortemente imoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi, algum tempo atr\u00e1s, um apaixonado e-mail de uma candidata inconformada com o resultado de um concurso p\u00fablico de uma universidade federal. Reclamava, entre outras coisas, da extrema subjetividade que campeia nesses concursos. At\u00e9 a\u00ed, tudo bem. 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