{"id":712,"date":"2014-08-15T14:59:46","date_gmt":"2014-08-15T17:59:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=712"},"modified":"2014-09-09T11:54:07","modified_gmt":"2014-09-09T14:54:07","slug":"a-arte-da-amizade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=712","title":{"rendered":"A arte da amizade"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo cercado de amigos podemos estar sozinhos. A solid\u00e3o, portanto, \u00e9 o oceano; a amizade \u00e9 uma ilha. Como bons migrantes, passeamos serelepes pelo oceano, \u00e0s vezes inconsciente da pr\u00f3pria exist\u00eancia da imensid\u00e3o aqu\u00e1tica que nos rodeia. Quando gritamos terra \u00e0 vista, por\u00e9m, percebemos que, como n\u00f3s, a ilha &#8211; \u00e0 moda daquilo que se viu em Lost, o seriado americano &#8211; tamb\u00e9m \u00e9 m\u00f3vel e est\u00e1 migrando por esse oceano. A sa\u00edda \u00e9 fabricarmos uma fraternidade de ilhas, costurada por afinidades de pequenas ou grandes ideias em comum. Reza a lenda que devemos conversar muito sobre as pequenas, mas jamais ficar &#8216;futucando&#8217; as grandes; pode brotar aos nossos olhos alguma diverg\u00eancia, e isso pode desencadear fraturas definitivas no arquip\u00e9lago. Por isso, preferiremos sempre conversar sobre amenidades, sobre coisas comezinhas. O sentido da vida,\u00a0 nossas ang\u00fastias mais profundas e nossos medos mais terr\u00edveis ficam guardados em algum cofre, distante do olhar menos acurado de um passante comum.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.julianorosa.org\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/073de152433aa4e76ae919d53fdc96df_jpg_290x478_upscale_q90.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-713\" src=\"http:\/\/blog.julianorosa.org\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/073de152433aa4e76ae919d53fdc96df_jpg_290x478_upscale_q90.jpg\" alt=\"073de152433aa4e76ae919d53fdc96df_jpg_290x478_upscale_q90\" width=\"290\" height=\"386\" srcset=\"https:\/\/blog.julianorosa.org\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/073de152433aa4e76ae919d53fdc96df_jpg_290x478_upscale_q90.jpg 290w, https:\/\/blog.julianorosa.org\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/073de152433aa4e76ae919d53fdc96df_jpg_290x478_upscale_q90-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><\/a>Em &#8220;At\u00e9 a eternidade&#8221; (Fran\u00e7a, 2012), a fraternidade de Max, um cozinheiro de sucesso em Paris, \u00e9 celebrada uma vez por ano nas proximidades de Bordeaux, no litoral franc\u00eas. Cada participante possui sua dor, sua ang\u00fastia, e por mais que se d\u00e3o bem &#8216;no social&#8217;, nenhum amigo \u00e9 compreensivo o suficiente para &#8216;entrar&#8217; no mundo do outro. Falta alteridade. O outro continua sendo o outro, mesmo estando pr\u00f3ximo, gargalhando de uma ou outra piada. \u00c9 o grupo servindo pra acomodar a solid\u00e3o de cada um. O final, embora um pouco hollywoodiano, \u00e9 de acabar com o cora\u00e7\u00e3o dos mais dur\u00f5es. Li\u00e7\u00f5es? Por mais que nossa tend\u00eancia seja caminhar solitariamente, a amizade precisa ser cultivada; por mais problem\u00e1tica que seja uma viagem em grupo, sempre ser\u00e1 melhor que viajar sozinho; por melhor\u00a0 que pare\u00e7a o estado do nosso amigo, \u00e9 fundamental que o ou\u00e7amos <strong><em>de verdade<\/em><\/strong>. Filme altamente recomendado, apesar da cr\u00edtica especializada ter sido pouco generosa&#8230;<\/p>\n<p><em>Fonte da imagem: www.filmow.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo cercado de amigos podemos estar sozinhos. A solid\u00e3o, portanto, \u00e9 o oceano; a amizade \u00e9 uma ilha. Como bons migrantes, passeamos serelepes pelo oceano, \u00e0s vezes inconsciente da pr\u00f3pria exist\u00eancia da imensid\u00e3o aqu\u00e1tica que nos rodeia. 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