{"id":77,"date":"2006-02-08T22:39:07","date_gmt":"2006-02-08T22:39:07","guid":{"rendered":"http:\/\/julianorosa.org\/?p=77"},"modified":"2006-02-08T22:39:07","modified_gmt":"2006-02-08T22:39:07","slug":"brown-o-pessimista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=77","title":{"rendered":"Brown, o pessimista"},"content":{"rendered":"<p>Lester Brown, um dos mais conceituados intelectuais norte-americanos, deu o ar de sua gra\u00e7a apocalipticamente afamada. Em seu mais novo <u><a href=\"http:\/\/www.earth-policy.org\/\">livro<\/a><\/u>, continua alertando sobre O Fim. Antes, o mundo acabaria pelos milh\u00f5es de man\u00e9s subnutridos. E, ao que parece, a culpa agora \u00e9 dos ascendentes chineses e indianos.<\/p>\n<p>Diz o not\u00e1vel \u2013 eleito um dos jovens mais brilhantes dos EUA nos anos 1960 \u2013 que o mundo entrar\u00e1 em colapso caso o <em>american way of life<\/em> seja estendido \u00e0 gigantesca popula\u00e7\u00e3o indiana e chinesa. Esse tant\u00e3o de gente comendo no Bob\u2019s e tendo dois autom\u00f3veis na garagem assusta &#8211; naturalmente.<\/p>\n<p>A curiosidade aqui \u00e9 o eixo da discuss\u00e3o estar em torno dos quase dois bilh\u00f5es de pessoas consumindo como um branquelo classe m\u00e9dia estadunidense \u2013 e n\u00e3o, apropriadamente, da sustentabilidade do consumismo s\u00edmbolo do pa\u00eds de Mr. Bush.<\/p>\n<p>Pessimismo sempre foi seu trunfo. A id\u00e9ia da Revolu\u00e7\u00e3o Verde, posterior a 2a Guerra Mundial, teve em Brown seu entusiasta e \u00e1rduo defensor. Os gr\u00e1ficos j\u00e1 apontavam para um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica &#8211; Brown apostou na &#8216;Explos\u00e3o Demogr\u00e1fica&#8217;; incorreu ainda em um erro crasso \u2013 caro tamb\u00e9m a Malthus \u2013 de n\u00e3o considerar que a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica poderia resolver alguns problemas b\u00e1sicos na produ\u00e7\u00e3o e produtividade alimentar.<\/p>\n<p>Brown enxergava apenas duas solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, em seu famoso \u2018<em>Mundo em crise<\/em>\u2019 (<em>In the human interest<\/em>, 1974). A primeira, invocava o bom senso dos consumidores. Alertava para a finitude dos recursos naturais, e bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1. Trinta anos depois, a inefici\u00eancia desse discurso ing\u00eanuo \u00e9 indiscut\u00edvel. A segunda, mais bem trabalhada, mais enf\u00e1tica, era a responsabilidade dos Estados \u2013 principalmente aqueles dos pa\u00edses subdesenvolvidos \u2013 em elaborar pol\u00edticas eficientes de planejamento familiar. Considerava assim que o aumento da popula\u00e7\u00e3o era um perigo ao meio ambiente. Especulava cen\u00e1rio dantesco caso a popula\u00e7\u00e3o ultrapassasse os seis bilh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Levando em conta os recursos tecnol\u00f3gicos de hoje e os avan\u00e7os nas ci\u00eancias agr\u00e1rias, a Terra suporta, tranq\u00fcilamente, oitenta bilh\u00f5es de pessoas \u2013 j\u00e1 assegurava Milton Santos, o mais importante ge\u00f3grafo que a Terra Brasilis conheceu. Sem<em> american way of life<\/em>, obviamente.<\/p>\n<p>Para os verdes de plant\u00e3o, nunca \u00e9 demais ressaltar que o nascimento de um bebezinho no pa\u00eds de Brown \u00e9 muito mais preocupante, para o meio ambiente mundial, que dez pimpolhos paridos na Eritr\u00e9ia.<br \/>\n[<u><a href=\"http:\/\/www.verbeat.org\/blogs\/lixotipoespecial\/arquivos\/2006\/01\/brown_sugar.html\">Aqui<\/a><\/u>, inspira\u00e7\u00e3o desse post]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lester Brown, um dos mais conceituados intelectuais norte-americanos, deu o ar de sua gra\u00e7a apocalipticamente afamada. Em seu mais novo livro, continua alertando sobre O Fim. Antes, o mundo acabaria pelos milh\u00f5es de man\u00e9s subnutridos. E, ao que parece, a culpa agora \u00e9 dos ascendentes chineses e indianos. Diz o not\u00e1vel \u2013 eleito um dos<span class=\"excerpt-ellipsis\">&#8230;<\/span><\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=77\" itemprop=\"url\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-77","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geografia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/77","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=77"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/77\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=77"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=77"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=77"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}