{"id":82,"date":"2006-03-11T22:44:19","date_gmt":"2006-03-11T22:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/julianorosa.org\/?p=82"},"modified":"2006-03-11T22:44:19","modified_gmt":"2006-03-11T22:44:19","slug":"li","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.julianorosa.org\/?p=82","title":{"rendered":"Li&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Por for\u00e7a maior, <em>digamos assim<\/em>, a leitura dos quatro volumes de \u201c<em>As Brumas de Avalon<\/em>\u201d azedou \u2013 temporariamente, \u00e9 certo. Conferi apenas o primeiro da s\u00e9rie. Em f\u00e9rias por quinze dias no m\u00eas de fevereiro, e distante da cole\u00e7\u00e3o de Marion Zimmer, abri o badalado &#8220;<em>O C\u00f3digo da Vinci<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 bonzinho, com muitas reviravoltas e \u2018segredinhos\u2019, desvendados pelo leitor ao passar de p\u00e1ginas; j\u00e1 os di\u00e1logos s\u00e3o, assim, meio chinfrins, com aquela rapidez e brevidade pragm\u00e1tica t\u00edpica de best sellers estadunidenses. Os mist\u00e9rios, por outro lado \u2013 como a identidade do enigm\u00e1tico \u2018Mestre\u2019, um personagem chave da hist\u00f3ria \u2013 n\u00e3o s\u00e3o de todo imprevis\u00edveis.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm1.static.flickr.com\/104\/369351356_4350472747_m.jpg\" align=\"bottom\" border=\"0\" height=\"240\" hspace=\"0\" width=\"170\" \/><\/p>\n<p>O que n\u00e3o d\u00e1 pra entender, definitivamente, \u00e9 a celeuma inicial que o livro causou. At\u00e9 entendo que ali se encontram informa\u00e7\u00f5es que abalam a estrutura da f\u00e9 crist\u00e3 \u2013 como um Cristo casado com a ex-prostituta (prostitui\u00e7\u00e3o controversa, por\u00e9m&#8230;) Maria Madalena e sua descend\u00eancia vivendo at\u00e9 os dias atuais. Ora, isso n\u00e3o quer dizer, em absoluto, que isso aconteceu. \u00c9 um livro fict\u00edcio, n\u00e3o hist\u00f3rico. E, mesmo se fosse um fato \u2013 com provas, inclusive \u2013 n\u00e3o acho que a melhor atitude fosse desestimular o crist\u00e3o a l\u00ea-lo \u2013 mesmo porque <u><a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/ultnot\/reuters\/2006\/03\/10\/ult729u54994.jhtm\">atitudes desse naipe<\/a><\/u> t\u00eam sempre efeito contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>No v\u00e1cuo do livro de Dan Brown, o mercado editorial aproveitou para lan\u00e7ar dezenas de t\u00edtulos relacionados ao tema. Muitos deles, inclusive, se deram ao trabalho de \u2018quebrar\u2019 o tal C\u00f3digo, como se fosse necess\u00e1rio provar cient\u00edfica e historicamente que uma inven\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e9 apenas isso \u2013 uma inven\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Prova da liberdade fantasiosa de Brown \u00e9 a presen\u00e7a do tal \u2018Priorado de Si\u00e3o\u2019 no eixo do enredo. A entidade \u00e9, segundo alguns, guardadora de segredos do cristianismo primitivo e da descend\u00eancia de Maria Madalena. O \u2018Priorado\u2019 no entanto, \u00e9 uma farsa, uma produ\u00e7\u00e3o alucinada da mente doentia de um monarquista franc\u00eas na d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p>Para maio est\u00e1 programado o lan\u00e7amento da vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica, na abertura do 59\u00ba Festival Anual de Cinema de Cannes, protagonizado por Tom Hanks e Ian McKellen. Adapta\u00e7\u00f5es para as telonas s\u00e3o quase sempre decepcionantes. A algazarra promovida pelas entidades cat\u00f3licas, primeiramente, e pela dupla de historiadores Michael Baigent e Richard Leigh, que <u><a href=\"http:\/\/diversao.uol.com.br\/ultnot\/reuters\/2006\/03\/10\/ult26u21122.jhtm\">acusam Brown de pl\u00e1gio<\/a><\/u>, atualmente, garante, pelo menos, presen\u00e7a maci\u00e7a de p\u00fablico no cinema. E isso, para os produtores, donos de cinema e pipoqueiros, j\u00e1 \u00e9 suficiente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por for\u00e7a maior, digamos assim, a leitura dos quatro volumes de \u201cAs Brumas de Avalon\u201d azedou \u2013 temporariamente, \u00e9 certo. Conferi apenas o primeiro da s\u00e9rie. Em f\u00e9rias por quinze dias no m\u00eas de fevereiro, e distante da cole\u00e7\u00e3o de Marion Zimmer, abri o badalado &#8220;O C\u00f3digo da Vinci&#8220;. 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