Falhos

Criamos heróis desde a mais tenra idade. São eles nossas fortalezas, nossos exemplos. Para muitos, os pais encarnam perfeitamente esse personagem. Mas pode, também, ser um amigo ou parente sensato, sábio e de decisões sempre acertadas. Ingressamos na vida adulta e, mesmo calvo por saber que enquanto seres humanos todos estamos passíveis ao erro, a fragilidade dos nossos heróis nos perturba. O modelo de integridade, ao descer ao pó por ações vis, nos lembra que a humanidade está coberta até a raiz do cabelo pela falha potencial e que sua manifestação expõe, também, nossas mesmas fraquezas.

Lição do dia? Conjugue o verbo errar, setenta e sete vezes.

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Mas se a multidão hoje escutasse um Cristo dizendo “quem não tem pecado que atire a primeira pedra”, diante de qualquer adúltera, ia faltar pedra no mundo. Estranhamente, há mais juízes que réus em um universo onde ninguém pode se vangloriar por ter uma reputação ilibada. Somos maus, moçada.

Como inserir seu msn no perfil do orkut

Sim, você quer que toda sua rede de amigos no orkut conheçam seu msn e você não sabe como inserí-lo em seu perfil? Fez consulta no Todo-Poderoso e ele somente informou perguntas não respondidas em fóruns internéticos? Tá se sentindo uma toupeira, é?

Não se abale. Titio aqui – que até agora pouco estava na condição de toupeira – lhe explica.

Primeira coisa é certificar que a página é de teu perfil (dããããã.).

(sim, porque se você for dar uma de esperto e clicar em “editar perfil”, ficará um bom tempo procurando um campo para inclusão do seu perfeito msn e, claro, não achará bulhufas).

Dispois, clique no quinto botãozinho “editar”, de cima pra baixo, e selecione o melhor Instant Messenger do planeta no drops “Nome de usuário IM (1)”.

É esse blog contribuindo solidariamente para a paz mundial e a felicidade geral da nação brasileira.

No elevador

Marcelo Coelho escreveu ontem na FSP sobre cordialidade no elevador. A leitura do texto fez-me lembrar de uma situação vivida em dos elevadores da PUC-SP, ano passado.

Nessa ocasião, o painel indicador do movimento do elevador não estava funcionando, de maneira que não dava pra saber se o elevador estava subindo ou descendo para o estacionamento. Ao parar no térreo, estava vazio. Na dúvida, entrei – juntamente com duas dúzias de jovenzinhos, que, como eu, estavam intencionado em subir. Contrariando-nos, o movimento do elevador foi descendente.

Apinhado, o elevador parou no subsolo. Um grupo de professoras aguardava-o. Ficaram indignadas. “É um absurdo rapazes e moças saudáveis usarem o elevador. Tivesse a saúde de vocês eu ficaria envergonhada“, dizia uma, enquanto impedia o elevador de fechar a porta pela presença de seu enorme corpanzil. Daí, frases gentis como “Eu exijo que vocês saiam daí“, ou “A PUC humilha seus professores com essa ausência de ascensorista“. Umas duas ou três garotas saíram do elevador. A maioria ficou. Silenciosa, sem arredar o pé. Do subsolo ao quarto andar foi uma lista de impropérios que jamais imaginei que caberia numa boca de professora pós doutora.

A maioria da galera, mesmo assim, pareceu-me indiferente, como se não tivesse nada a ver com aquilo ali.

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Aliás, coisa doida essa. Você é obrigado a ficar cinco centímetros do corpo de outra pessoa, olhos nos olhos, sente a respiração e etc. mas não lhe traz intimidade suficiente para dizer um bom dia. Pelo contrário: há um esforço em evitar os olhos do outro. Meu entendimento do que é um convívio social saudável me impede de sacar que esse “afastamento na proximidade” pode ser salutar.

Por essa razão, creio que o articulista, referindo-se ao elevador, exagerou ao dizer que

Trata-se também, como qualquer outro meio de transporte no Brasil, de um local de embolamento, de contato físico. Não se tem aqui a mesma alergia que nos países anglo-saxões à proximidade corporal.

Há alergia sim – talvez não tanto quanto em outros países. Essa coisa da cordialidade brasileira – quando os envolvidos são urbanos médios – não passa de um grande mito. Pode valer, sim, para a periferia (o que permite dizer que a cordialidade tende ao enfraquecimento nos degraus acima da pirâmide social).

O elevador exemplifica o grande mal do modus vivendi urbano. Somos obrigados a ficar fisicamente próximos de dezenas pessoas, mas ao mesmo tempo todos assumem a postura coletiva de distanciamento do outro. Cada qual esforçando em melhorar sua cara blasé, seu olhar indiferente. Esse comportamento estúpido desumaniza o homem. Mas quem se interessa nisso, não é? É cada qual no seu quadrado… e só.

Notebooks para professores

Depois de muito namorar essa belezura aí do lado, resolvi esperar. Acontece que Vossa Excelência, o Sr. Presidente, decretou que o professor brasileiro não pagará mais que mil reais para usufruir das vantagens de um notebook decente, através do “Programa Computador Portátil para Professor”. Essa novidade foi divulgada na última sexta-feira (04/07/2008). Embora o cronograma do Programa seja meio nebuloso (os Correios estarão ofertando as máquinas a partir de quando? – que é o que mais nos interessa), algo me diz é que melhor aguardar. Espero, ora pois.

Update: o site dos Correios já está preparado para a comercialização dos notebooks. Na mesma página há informações precisas sobre o cronograma do programa. Bom, bom, bom…

A polícia federal e os advogados, by Jabor

Às vezes acho o Jabor meio bobinho. Outras vezes, ele é “o cara”. O comentário de ontem, sobre a prisão do Trio Parada Dura (Pitta, Dantas e Nahas), foi uma defesa brilhante do trabalho da PF e uma crítica contundente ao trabalho dos advogados e da justiça brasileira. Aliás, a principal crítica ao trabalho da PF está na “midiatização” das ações quando os envolvidos são da nata social. Mas não será sempre assim? No Brasil, já é mais que notória a dificuldade dos peixes graúdos caírem nas garras da política. Essa história de que polícia é pra bandido pobre tem que ser deixada de lado, já. De cá, aplausos entusiasmados.

Por uma filosofia de botequim

Gosto de filosofia. Dessa, que soltamos no boteco, descompromissadamente e arrematada com um gole de um líquido qualquer. Discutir a angústia em Kierkegaard ou essência versus existência em Sartre. Mas, acima de tudo, sem nenhum tipo de “saber sistemático”, sem nenhum especialista na jogada. Porque daí a liberdade de falar bobagem esmaece, o medo das estultíces aparece e o silêncio dos autodidatas concorre para a manutenção do monólogo (chatérrimo) do “sujeito competente”.

A liberdade e o fato de não levar muito a sério a vida e os problemas dela decorrentes, aliás, devem manter em alta qualquer tipo de sentimento. Sistematizar as coisas e torná-las metódicas retira um pouco do prazer daquilo que cotidianamente fazemos. Ou como explicar meu gosto menor pela filosofia após terem me tornado professor [temporário] dessa disciplina? É essa uma explicação válida? É?

De novo…

Blecaute. Tentei instalar uma nova versão do wordpress e travou tudo, melou geral. Da confusão, o blog ficou meio seqüelado. Os últimos comentários e a página de apresentação do blog e do escrevente foram para o espaço. Graças aos ótimos serviços prestados pelo suporte, estamos – eu e o blog – de pé.

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Fora o eficiente atendimento do pre-lude (melhor custo-benefício em hospedagem tupiniquim), a impressão que tenho é que fui cercado da nata da incompetência nacional nesses últimos dias. É o corretor que não vende nada, é a juíza que pede seis meses para analisar um processo, é o banco que se nega a devolver grana sabidamente roubada, é o cartão da conta corrente cancelado com uma justificativa estúpida (“você usou o cartão em um caixa suspeito de fraude”), é a Caixa Econômica Federal que troca os fornecedores de cartão e atrasa a entrega para todos os correntistas, é a maldita greve dos correios, é a lentidão na aprovação do projeto de dedicação exclusiva na atual instituição e todo o ônus financeiro decorrente dessa morosidade… e mais um milhão de trabalhos e provas para corrigir.

Mas Pollyanna vem me lembrando sempre que poderia ser pior.

Ainda o plágio

Já expressei aqui minha opinião sobre o plágio. De lá pra cá, não mudei muito. Talvez por isso, dois fatos recentes foram suficientemente relevantes para ocupar minha cabeça com incômodas caraminholas. Segue a descrição dos acontecidos.

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Fato I.

Trabalhei desde 2005 com formação continuada de professores da rede pública. Dentre as atividades desenvolvidas estavam a capacitação de professores e o desenvolvimento de material didático instrucional.

Mudando recentemente de instituição, manti ainda vínculos de amizade com alguns colegas, o que permitia – e permite – troca de favores mútuos.

Numa dessas situações, recebi um pedido, vindo da Colega A, para revisar um módulo didático para um encontro destinado a capacitação de professores de Geografia. No e-mail, a observação:

Como estou no PAR e sempre viajando foi solicitado que (colega B) elaborasse o material da Formação Continuada. Assim, segue anexo o material para que você avalie e dê suas contribuições, até amanhã. Ok?

Pois bem.

Depois do primeiro olhar, fui acometido de uma forte sensação de “Já vi isso antes”. Com a ajuda do todo-poderoso Google, localizei dois textos: um estava no site da UNICAMP, outro, elaborado por professores da PUC-RJ, no site do MEC. Não havia nenhuma referência bibliográfica no texto em minhas mãos, indicando autoria exclusiva da Colega B.

Feita a constatação da descarada compilação, respondi o e-mail alertando para os riscos que esse procedimento ilegal poderia causar a instituição. Sugeri, ainda, dada proximidade do encontro, que o mesmo poderia ser realizado com o material já fornecido pelo MEC, dispensando, nesse caso, a necessidade de elaboração de material próprio. Colega A teve ciência da gravidade e devolveu, para correção, o material para a Colega B, com minhas observações. Uma semana depois, recebo da plagiadora o seguinte e-mail, acompanhado, em anexo, de uma nova versão do material (que, diga-se de passagem, mesmo sendo totalmente reformulado, ainda não se livrou dos mesmos vícios da prmeira versão do módulo):

Colega,

Encaminho em anexo o módulo reformulado.Lembrando que a reformulação aconteceu antes das observaçoes feitas por você, de forma desumana.

Quanto as considerações feitas,foram de total desapreço e desrespeito para com minha pessoa. Saber julgar é muito fácil,dar sugestões inovadoras é que é difícil. É preciso ter competência humana para se expressar. Ah! a sugestão do colega não tem nada de novo e criativo, como mesmo sugeriu as técnicas do prof. Álvaro dos Parâmetros em Ação, ou seja, cópia do material. Seria apropriado e conveniente que se dirigisse diretamente a mim. Que eu saiba nós somos da mesma categoria de profissionais.

Quanto ao material plagiado, não cometeria o erro de mantê-lo sem citar a autoria do mesmo.Quanto aos recortes, podemos observar quantos recortes foram feitos na Proposta Curricular do Ensino Médio, não havendo nenhuma punição.

Aguardo os apontamentos do Módulo.

Sem mais, _______ (Colega B).

Sim, dei-me o trabalho de respondê-la. Não com as palavras quentes que eu gostaria de ter usado…

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Fato 2.

Fulana de tal é membro da Academia de Letras da cidade onde morava – e que, como toda Academia de Letras, está lotada de gente que possui uma série de predicados, menos vocação literária. Solícita, participa ativamente da agitação cultural da cidade. Por ocasião do Dia Internacional da Mulher (edição 2008), recitou – e distribuiu a cada um dos presentes na repartição em que trabalhava – a seguinte poesia, supostamente de sua lavra:

mulher

Curioso, recorri mais uma vez ao Google. Estava lá: um dos mais plagiados poemas da internet brasileira (exemplos? Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. A verdadeira autora do poema, Fatima Aparecida Santos de Souza – codinome Perola Neggra, comentou sobre o plágio de seu poema aqui). Anexando o poema da escritora, enviei e-mail a um dos membros da Academia. Recebi resposta? Não. Camaradagem, corporativismo ou má-fé? Nunca saberei…

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Concluindo: o Google apadrinhando a patifaria

A comodidade proporcionada pelo Google aos preguiçosos de plantão tem proporcionado esses fatos regularmente. Botar o tico e o teco funcionando é entendido como falta de esperteza – já que o sabe-tudo lhe dá a obra pronta, com honras e elogios.

Essa história toda deixa a internet semelhante ao padrinho que, carinhoso com o afilhado, oferece-lhe muitas possibilidades de uma vida melhor e o fedelho opta por um caminho mais fácil, nem sempre observando minimamente o necessário respeito ao outro e as regras elementares de convivência em sociedade. O Google jamais pode ser considerado pai dos plágios, mas, com certeza, apadrinha milhares de patifes.