Alvorecer

[larghetto stringendo, ré menor]

Nos dias de sombra
Coração contraído
Maltratado, indeciso
Luz? Jamais chega.

Nos dias de sombra
Coração acelerado
Preso a convenções
Muros intransponíveis.

[Vivace, rallentando, lá bemol maior]

Nos dias de luz
Cotidiano renovado
Graça e leveza.

Nos dias de luz
Cotidiano planejado
Segurança em ser-feliz.

Sobre a paixão

A paixão desumaniza o homem. Irracional, subtrai do indivíduo qualquer pensamento reflexivo sobre suas ações. Alheio aos pequenos problemas do cotidiano, conduz os indivíduos a sensação de serem levados por uma correnteza forte o suficiente para não perceberem as conseqüências – muitas delas essencialmente perversas – dos impulsos mais primitivos do coração. Em sua vã ilusão, imagina as cores do dia mais fortes e os odores suaves das plantas mais presentes. A energia extraída da felicidade de um apaixonado moveria o mundo; da frustração, uma hecatombe. Daí o perigo. Encantamento por sorrisos, belos olhares e et caerva pode tanto corresponder ao renascimento da vida quanto ao principiar da tragédia.

Lost (4th season): espetacular

Taí uma coisa que, nos últimos anos, tem sido um vício constante: os seriados americanos.

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A quarta temporada de Lost encerrou-se já algum tempo nos Estados Unidos. Embora a audiência da série caiu muito, os episódios da última temporada não foram ruins; muito pelo contrário. O encadeamento do roteiro foi eletrizante. Vários mistérios foram desfeitos, como, por exemplo, aquele monstrengo barulhento que varria a ilha como um Taz gigante em forma de fumaça.

A surpreendente morte de Charlie, no final da terceira temporada, foi um soco no estômago. Pirar o cabeção, de fato, só agora, ao mostrar quem era o indivíduo falecido e deixado em uma funerária, conforme mostrado ainda na terceira temporada, em um daqueles lances de flashforwards.

Para confundir a galera, foram feitas três cenas finais para o último episódio da temporada. As duas cenas descartadas encontram-se abaixo.

http://youtube.com/watch?v=h-yXPfc5r1w

O finado verdadeiro? Pô, é o x%6@@%.

Change we can believe in!

No site de Obama há mensagens de boas-vindas a Hillary Clinton e sua equipe, conclamando a unidade partidária (“Unite for change”). Preocupação óbvia, após a desgastante pré-campanha presidencial e a pouca vantagem de Obama sobre o candidato republicano.

~*~

A esquerda brasileira, no geral, entusiasma-se com a possibilidade de uma gestão dos democratas lá. Considerando os últimos discursos de Obama sobre a  América Latina e a questão palestina, a distinção entre os dois partidos ianques talvez não seja assim tão radical.

O “change” de Obama não deve ser levado muito a sério.

Sound of silence

Desabafo On.

Amo o silêncio. Desses longos, reticentes. Dos sons inaudíveis germinam pensamentos criativos. Se gosto do barulho? Claro, desde que não me obrigue, nessa condição, a pensar muito. Não importa a música: em altos decibéis, Mozart se iguala a MC Créu.

Não raramente, provocadores de barulho são folgados. Imaginam que o espaço público é extensão de seus quartos ou de suas latrinas, onde podem cantar, gritar e rir até quando as cordas vocais permitem.

Chama isso de falta de educação? Não sei se as coisas são tão simples assim.

Depois de três anos atuando em formação continuada de professores, sei, mais que ninguém, como os docentes gostam do monopólio da fala. Aliás, o magistério deve congregar, juntamente com os políticos profissionais, os sujeitos mais falantes desse mundo. Claro, a fala é essencial para o trabalho do professor. Todavia, regras básicas, de educação mesmo, deveriam ser respeitadas no cotidiano. Ou o que esperar de um policial que não sabe o manejo e a hora correta de usar seu revólver?

Tente, por exemplo, estudar em um ambiente no qual três ou mais professores encontram-se presentes. Impossível. Acostumados como estão em falar para uma platéia de mais de quarenta alunos barulhentos e desatentos, professores não mais usam o recurso de dosagem da altura de voz e bom senso para reconhecer o que se passa na vizinhança. Se os interlocutores estão a um metro de distância e o ambiente da sala é destinado para, entre outras coisas, o estudo, não importa: são apenas detalhes.

Bom senso, já.

Desabafo Off.

Escolas públicas federais: centros de excelência em ensino?

Os resultados do ENEM repercutem com muitos sorrisos e orgulho na rede federal de educação básica (CEFET’s, Colégios Militares e Colégios de Aplicação). Seria a alta qualificação dos docentes responsável pelo sucesso dos números?

Grande parte do corpo docente da rede federal é composta de mestres e doutores. Mas, convém lembrar, explicar esse fato pela formação docente é simplificar demais o problema. A própria estrutura de ingresso (especialmente nos Colégios Militares), através de vestibulinhos, dá um jeito de excluir alunos medianos e ruins. A matéria bruta que os mestres e doutores trabalham é seleta, diferente das condições encontradas pelos demais professores das redes públicas municipais e estaduais.

Mesmo nas escolas federais há consideráveis discrepâncias. Não se pode, a meu ver, comparar um CEFET com acirrada disputa de ingresso, em regiões tradicionalmente bem avaliadas no Ensino Fundametal e Médio, com outro em que a matrícula é definida por sorteio, a concorrência no processo seletivo é muito baixa ou, ainda, a clientela atendida não chega ao CEFET minimamente competente, do ponto de vista das aquisições cognitivas básicas.

Nesse sentido, a qualidade efetiva do ensino poderia ser medida se fossem computados os dados de entrada e saída dos alunos na rede, da forma como são realizados no ENADE. Daí, sim, poderíamos avaliar, comparativamente e com segurança, o processo de ensino realizado na rede federal.

Retorno

Computador queimado, serviço dobrado.

Fim?

Não.

Emprego novo, cidade nova.

Computador zero bala, blog retomado.

Tremeis, traças binárias: eu voltei.

E retorno a roupagem antiga do blog, colocada em junho e abandonada em dezembro do ano passado. Um ano atrás, anunciava o sonho bom que vislumbrava, e o template carregava todo o sentido de tais mudanças. Mal sabia que todas aquelas promessas profissionais que se avizinhavam eram tão falsas quanto nota de três reais. Esse período representou uma fase de minha vida que, mesmo sabendo da experiência proporcionada pelo difícil aprendizado, quero esquecer.

A volta ao template antigo tem, então, um peso simbólico. Está a dizer que a vida, interrompida em junho de 2007, retorna em doces e suaves suspiros.

Então, ficamos assim: com a velha e irregular frequência de posts, devagar e sempre.

Mais horas de aula, mais aprendizagem: mito?

É sim. Mito dos grandes. Reportagem de hoje da Folha Online indica que, das 60 escolas em tempo integral, apenas quatro tiveram desempenho acima das escolas convencionais.

Isso não é nenhuma surpresa. Imaginaram que aumentando as horas de aula, o aluno aprenderia mais. Uma besteira. Primeiro porque as escolas ainda não conseguem oferecer um ambiente tão prazeroso quanto deveria. E, em decorrência, os alunos estão chateados com as aulas. Gostam de escola, mas não gostam de aula. Baseado então nesse raciocínio, aumentar o número de aulas é… aumentar a chateação do aluno.

O próprio aumento do ano letivo para 200 dias não tem dado mostras de que o ensino melhorou (antes da atual LDB, de 1996, o ano letivo totalizava 180 dias). Mais dias em sala de aula não quer dizer absolutamente nada. E para dizer que não estou louco, resolvi procurar dados de outros países sobre essas questões. Não foi fácil. A única informação encontrada é datada de outubro de 2004. Os dados seguem tabulados abaixo:

comparativo1.JPG

Fonte: Revista Nova Escola, out. 2004.

Eis a curiosidade: os países desenvolvidos, em geral, possuem anos letivos mais curtos. Não foi necessário, portanto, aumentar os dias de aula para ter melhores resultados. Por aqui, aumentar os dias letivos talvez até receba apoio popular, mas o resultado já sabemos qual é.

E por qual motivo está a coluna ‘salário’ bem aí? Pra mostrar que, se não muda imediatamente (e, de fato, não) a qualidade do ensino com melhores salários, pelo menos atrairia, para a sala de aula, especialistas em educação que estão militando em outras searas. Como jornalismo e política, por exemplo.

É isso.