É sim. Mito dos grandes. Reportagem de hoje da Folha Online indica que, das 60 escolas em tempo integral, apenas quatro tiveram desempenho acima das escolas convencionais.
Isso não é nenhuma surpresa. Imaginaram que aumentando as horas de aula, o aluno aprenderia mais. Uma besteira. Primeiro porque as escolas ainda não conseguem oferecer um ambiente tão prazeroso quanto deveria. E, em decorrência, os alunos estão chateados com as aulas. Gostam de escola, mas não gostam de aula. Baseado então nesse raciocínio, aumentar o número de aulas é… aumentar a chateação do aluno.
O próprio aumento do ano letivo para 200 dias não tem dado mostras de que o ensino melhorou (antes da atual LDB, de 1996, o ano letivo totalizava 180 dias). Mais dias em sala de aula não quer dizer absolutamente nada. E para dizer que não estou louco, resolvi procurar dados de outros países sobre essas questões. Não foi fácil. A única informação encontrada é datada de outubro de 2004. Os dados seguem tabulados abaixo:

Fonte: Revista Nova Escola, out. 2004.
Eis a curiosidade: os países desenvolvidos, em geral, possuem anos letivos mais curtos. Não foi necessário, portanto, aumentar os dias de aula para ter melhores resultados. Por aqui, aumentar os dias letivos talvez até receba apoio popular, mas o resultado já sabemos qual é.
E por qual motivo está a coluna ‘salário’ bem aí? Pra mostrar que, se não muda imediatamente (e, de fato, não) a qualidade do ensino com melhores salários, pelo menos atrairia, para a sala de aula, especialistas em educação que estão militando em outras searas. Como jornalismo e política, por exemplo.
É isso.