O que é…

o fim: um peremptório início?

Ou,

O que é…

o início: um inadiável fim?

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Dezembro chegou. No pacote, festas, sorrisos, esperanças. É o mês que une, pela felicidade das comemorações de aniversário, Britney Spears, Christina Aguilera e Wanessa Camargo. A cereja no bolo da musicalidade é o ‘dingobel‘, até a exaustão – o que equivale as três, juntas, num projeto de música a capella.

Tá valendo.

Símbolos nacionais

Icaro Doria é tido como um dos mais notáveis publicitários da atualidade. O brasileiro de 27 anos desenvolveu, em conjunto com colegas da “Grande Reportagem”, importante revista portuguesa, a campanha publicitária “Bandeiras”, que já correu o mundo há algum tempo. Com dados da Anistia Internacional e da ONU, Doria deu outro simbolismo a proporção das cores nas bandeiras da União Européia e de sete países (Colômbia, Brasil, Angola, China, Burkina, Somália e Estados Unidos – abaixo, nessa sequência). A campanha ganhou, entre outros prêmios, o Leão de Ouro no Festival de Cannes de 2005 e o Grand Prix do Fiap, Festival Ibero-americano de Publicidade.Continue Reading

Drops

No princípio era a imagem. Estática, imóvel, fixa e, em certa medida, artificial. A imagem era aquilo que, no Outro, correspondia a um vir-a-ser, a um devir. Posteriormente, as imagens fixas tornaram-se vivas. Primeiro, pelo som. A voz e sua textura, flexão, sotaque. A imagem fala. Ri. É de carne-e-osso, formando um equilibrado conjunto. São os bytes milagrosamente transformados em realidade.

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No fundo, é engrado isso: por mais que nos tornamos familiares aos outros – por mil e uma formas midiáticas – o contato pessoal inicial tem algo, mesmo que fugaz, de estranhamento. E daí o medo da brincadeira mal-feita, da palavra colocada indevidamente, do subentendido no ar.

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Caipirice filosófica a parte, o último fim de semana foi memorável. Conheci três bacaníssimas figuras. Duas delas me deram a honra da pose abaixo: a naturalmente simpaticíssima Sandra Pontes e o não menos simpático Alexandre, carioca irmão de fé (com a devida ressalva de que estou hereticamente distante dos caminhos do Glorioso, a ponto de não conseguir citar meia dúzia de elementos do atual escrete). O quarto mosqueteiro, nosso D’Artagnan, foi ele: o formidável Léo, que após enfrentar e derrotar bruxos cruéis disfarçados de inocentes animaizinhos de pelúcia, sequer tremeu ao clicar a foto abaixo – exatamente como faria J.R. Duran. Merece, claro, uma temporada em Hogwarts.

enc

¿Por qué no te callas?

Atrasado, mas pra constar: gargalhei mil com esse video.

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Um comentarista, desses especialistas que são sempre convidados a opinar, se embaraçou todo quando comparou o Rei Juan Carlos com o Bufão Chavez em um programa noturno da Radio Record de São Paulo. Ora, pois: ambos estão indefinidamente no poder sob anuência da maioria da população. Não é mérito, nem demérito: é fato. Só um raciocínio tortuoso para, ao traçar um paralelo, concluir que um é democrata e outro é ditador.

Aliás, o que há de brasileirinhos incomodados com a permanência de Chavez por lá…

Humano, demasiadamente humano

O cara que derrubou, ainda moço, um gigante com uma pedrada, foi o responsável por essas linhas:

O meu coraçäo está dolorido dentro de mim, e terrores da morte caíram sobre mim.
Temor e tremor vieram sobre mim; e o horror me cobriu.
Assim eu disse: Oh! quem me dera asas como de pomba! Entäo voaria, e estaria em descanso.
Eis que fugiria para longe, e pernoitaria no deserto.

Apressar-me-ia a escapar da fúria do vento e da tempestade.

Inútil, então, tentar escapar de nossas fragilidades, simulando-as debaixo de empáfia e prepotência. Medo, desespero e horror afloram, como se vê, nos mais valorosos corações. Entendeu?

O professor e seu salário

Depois de escrito o post de ontem, lembrei-me da entrevista dada pelo Sr. Ministro da Educação, Fernando Haddad, à Revista Veja, semanas atrás. Como em outras situações, o semanário duvida da eficiência de bons salários nos resultados educacionais.

E, infelizmente, a revista está certa.

Não há como negar: o salário do professor melhorando, esse mesmo ‘tio’ ofertará o de sempre, com muita boa vontade (sim, é preciso dizer. Muitos por aí acham – é serio – que os resultados educacionais assim estão por displicência docente. Há casos, claro, como em qualquer profissão; mas é preciso reconhecer o joio do trigo.).

E, felizmente, a revista está errada. Com melhores salários, a profissão seria mais disputada e, consequentemente, a qualidade do professor seria mais apurada. Como professor de cursinho pré-vestibular, já ouvi – e muitas vezes – o desejo de muitos vestibulandos em ingressar no magistério. O problema é que a carreira não é atrativa. Logo, os melhores alunos se estapeiam para entrar na medicina, engenharia e congêneres.

Enfim: pode não parecer, mas uma carreira atrativa tem poder de mudar o perfil docente, sim.

O olhar do professor

Como o professor vê a educação é a matéria de capa da revista Nova Escola desse mês. Em parceria com o IBOPE, quinhentos questionários foram aplicados em todas as capitais brasileiras. O resultado apresenta algumas contradições – e a reportagem as toma como fio condutor.

Dessas contradições, está o reconhecimento da qualidade dos cursos de formação inicial (64% consideram boa), ao mesmo tempo em que a metade dos entrevistados afirmam que não estão preparados para o trabalho pedagógico. É como se os médicos dissessem que são bem formados mas, ao mesmo tempo, reconhecessem que não estão preparados para clinicar.

Parte disso – é minha hipótese – decorre do pouquíssimo contato que os cursos de formação de professores mantêm com a escola. Quando há alguma relação, essa é profundamente hierárquica, do tipo “aqui, na universidade, nós produzimos saberes; aí vocês tem a missão de reproduzir”. E, se assim for pensada a educação, de fato a vulgarização do conhecimento correrá a largo.

A universidade não conhece, por experiência, a escola. Os professores universitários, grosso modo, não sabem como funciona a microespacialidade de uma aula do ensino fundamental e médio, com todas as suas variáveis. Tá, isso não é fundamental; mas, em muitas situações, o que a gente vê é a falta de experiência docente nesses níveis de ensino refletir em bobagens ou generalidades ditas continuamente.

O próprio caso da Nova Escola reflete o desconhecimento, por muitos especialistas, do que se passa nas instituições de ensino. Há um certo tom de surpresa, no decorrer da reportagem, em relação às respostas colhidas dos professores. Tivesse uma sintonia entre a revista e seu público alvo, não haveria motivos para tanto.

Nesse caso, o professor é o “Outro”. A revista não dialoga com os discursos docentes, mas com os especialistas. Há, nesse modelo, uma concepção entremeada em todas as frases da reportagem: quem deve pensar as políticas educacionais e o papel do professor não é o próprio. É o especialista. Exemplo maior não há: na mesma edição em que anuncia os ganhadores do prêmio nacional Victor Civita, a mesa redonda de análise do discurso do professor não consta nenhum representante da categoria. Sequer lembraram dos ganhadores do prêmio que, metaforicamente, representam o que há de melhor nas salas de aula brasileiras.

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Acertadamente, a reportagem toca em uma ferida aberta no educador do século XXI: a ausência da família na escola. Isso é um fato. E não se nega fatos, obviamente. Ora, resta saber, então, quais são as novas estratégias que a escola assumirá. Pelo menos o que está claro é que a escola, em seu modelo tradicional, está falida. Em um tempo não tão muito distante, quilos de livros apareciam para receituar prescrições infalíveis para sucesso em sala de aula. Essas fórmulas, pelo menos, estão descartadas. Aliás, as fórmulas, per si, ficaram desacreditadas, felizmente.

A dor

Fininha, boba, coisinha-a-toa. Aquela dorzinha que, do nada, aparece fazendo graça. Por ninguém se importar, ela se aloja, toda faceira. E permanece, indefinidamente, até criar coragem de se agigantar. Daí não adianta fingir que ela não existe; ela lá está para, aos soluços, nos lembrar que está a tomar conta, como ferida gangrenada em estágios finais.

O palhaço esquece do riso, mas não da máscara. Esquece de si próprio no espelho; ao público, sua aparência de longe engana a todos – mas não aqueles que gostam do palhaço, que o admiram, que convivem com ele.

No extenso, longo, tortuoso e desesperançoso picadeiro, se propõe, com o sorriso desenhado por tinta forte no rosto, a fazer as pessoas felizes, entendendo que, se as pessoas tem uma função e vocação nesse mundo, a dele é fazer os outros gargalharem despreocupadamente.

Do ser-em-si

Há quase dois anos, confidenciei a frustrada empreitada em ler “Fenomenologia do Espírito”. E em matéria de frustração, melhor remédio é apagá-la, totalmente, da memória (e nisso fui tão eficiente, na época, que troquei Hegel por Heidegger no referido post. Tá, tudo bem: são alemães, possuem nomes um pouco parecidos, são filósofos, escrevem dificílimo e tratam – nominalmente – da fenomenologia*.).

Esquecido disso, aceitei o convite para participar de um grupo de estudos em epistemologia. Aceitei, claro, imaginando discutir Boaventura de Souza Santos, Hilton Japiassú, talvez Edgar Morin. Ou, quem sabe, Feyerabend, Kuhn, Lakatos, Bachelard ou outros desses afamados que falamos muito e pouco os lemos. Ou, ainda, baseado no meu inato otimismo, algo mais familiar, como Humboldt, Ritter, La Blache, Ratzel, Hartshorne…

Maldição posta, o primeiro livro é… Fenomenologia do Espírito. E o primeiro expositor, responsável pelo prefácio é… já sabem quem. [E para quem quiser, por sua própria conta, se aventurar por esses caminhos, o prefácio da obra de Hegel encontra-se aqui.]

É pegar o boi pelo chifre, sem outra alternativa.

* [N. do B.: Mea culpa rasteira, essa…]

Um pecado capital: inveja

Eu invejo quem posta dois, três textos por dia. Primeiro, pelo tempo; segundo, pela criatividade, embora considero que essa última é condicionada pelo primeiro.

Eu invejo quem tem relação de amor com seus respectivos blogs. Já passou pela minha cabeça, em vários momentos, acabar com isso aqui. Mesmo porque ainda entendo que os blogs – ao contrário de muita coisa por aí – só devem existir pelo prazer que o indivíduo tem, naquele momento, em escrever suas bobagens. Esse prazer, no meu caso, sofre de uma instabilidade de humor terrível. Entendo, por isso, o ato de muitas pessoas apagarem e criarem, sucessivamente, novos blogs. Que, na verdade, não passam de continuidade das idéias anteriores, felizmente – ou não.

Eu invejo quem tem um blog com identidade. Desses que admitem: aqui não falo do meu umbigo; só discuto filosofia oriental. Ou notícias do leste da Tasmania. Ou de culinária mineira. Ou física quântica. Ou, mesmo, só amenidades cotidianas. Enfim. E pensar que, lá pelos idos de 2005 (que é, em cronologia internética pós-moderna, uma eternidade), eu queria escrever sobre geografia e geopolítica…

Resumindo: os textos continuarão escassos (até dezembro, pelo menos), continuarei amando e odiando, na mesma medida, esse blog e, finalmente, terei nesse caldo imperfeito de letrinhas uma não-identidade bloguística; ou, se quiserem, o caos como referencial.

Mas haverá ainda espaço para muita bobagem. Ah, isso sim.