
Frank, via Desemprego Zero.

Frank, via Desemprego Zero.
Os links ao lado foram organizados. Como toda classificação, é imperfeita e autoritária. Do ponto de vista didático, de manuseio mesmo, melhor coisa não há.
De quebra, incluí blogs e sites até então listados apenas nos ‘favoritos’ do navegador, como o excelente Hermenauta (referência blogal brasileira desde os tempos do Smart Shade of Blue) e a histórica revista francesa Heródote.
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Encontrei dificuldades em organizar uma seção de blogs acadêmicos sobre Geografia. Assim, ipsis literis, só mesmo o blog do prof. Charles. Agisse com justiça, o blog estaria na seção “Hibernando”…
Imagens: Revista Isto É – TV Globo/Reprodução


Esse mundo anda exageradamente devasso.
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Vou ali. Retorno em agosto em breve.
Li, ainda há pouco, o comunicado oficial da Associação dos Geógrafos Brasileiros: a professora Vanda Ueda, do Departamento de Geografia da UFRGS, estava no vôo JJ 3054 da TAM. Ueda era vice-diretora da Seção Porto Alegre da AGB, da qual sou associado. Muito querida pelos colegas e alunos, a professora seria paraninfa dos formandos em Geografia, em cerimônia a ser realizada no próximo mês.
Diz a nota:
A AGB se solidariza com familiares e amigos da professora e agebeana VANDA UEDA. Nesse momento de dificuldade e de tristeza, ficam as lembranças de sua alegria e participação na construção da AGB, seja nos momentos de organização de debates e eventos, seja como membro da diretoria executiva da AGB – Porto Alegre.
Marlene Bergamo/Folha Imagem

É difícil escrever algo sobre essa última grande tragédia da aviação civil brasileira. Com um sistema de gestão do espaço aéreo tão desorganizado, um acidente dessa proporção parecia ser anunciado. Para alguns especialistas, o problema foi de infra-estrutura: indícios apontam irregularidades na pista recém-reformada do Aeroporto de Congonhas como causa do acidente. Na linha de fogo, sai controladores de vôo, entra Infraero. Lamentável.
P.S. 1: contrariando todas as análises feitas por especialistas ontem, há novas hipóteses sobre o acidente, minimizando, inclusive, a responsabilidade da ausência de grooving (ranhuras) na pista de Congonhas. Ver aqui.
P.S. 2, via Imprensa Marrom, a respeito dos precipitados julgamentos sobre ‘culpados’ pela tragédia:
“Enfim, cada um pode escolher seu culpado. Isso não leva a nada. Serve apenas para reduzir um debate sério à seara das brigas de torcida. É preciso às vezes dar uma folga aos comprometimentos partidários – ainda que uma folga breve – para que pelo menos os textos não saiam contaminados por uma raivinha ridícula, bem pouco afeita ao que se espera dos grandes veículos em momentos trágicos como este.“
P.S. 3, do Toca do Jens, a propósito dos ‘comprometimentos partidários’:
Cara…
– Porra, foda o acidente.
– HumHum. A coisa está feia pro nosso lado.
– Como assim?
– Pensa, pô. Primeiro as vaias no Pan, agora esta merda. Vão nos trucidar.
– É mesmo. O que vamos fazer?
– Nos defender atirando. Vamos lembrar que eles também são podres, remexer na bosta do lado de lá.
– Controle de danos.
– Exatamente.
– Porra, mas e os mortos? Chocante, não?
– Os mortos estão mortos. Temos que cuidar é dos vivos. Ao trabalho.
– É isso aí. Vou preparar um dossiê.
…coroa
– Porra, foda o acidente.
– HumHum. Mas pra nós foi bom.
– Puta merda, como assim?
– Pensa, pô. Primeiro as vaias no Pan, agora esta tragédia. Vamos trucidá-los.
– É mesmo. O que vamos fazer?
– Atacar por todos os flancos. Vamos relembrar outros podres, remexer bastante na bosta.
– Maximização de lucros pra nós. Prejuízo pra eles.
– Exatamente.
– Porra, mas e os mortos? Chocante, não?
– Os mortos estão mortos. Temos que cuidar é dos vivos. Ao trabalho.
– É isso aí. Vou preparar um dossiê
Cá entre nós: precisava, realmente, de tantas?
Andam questionando por aí os números do IBOPE favoráveis ao presidente. Baseiam-se, para tanto, na estrondosa vaia recebida por ocasião da abertura dos Jogos Panamericanos. Julgam, sobretudo, que os presentes representam a ‘voz do povo’.
Não, não representam.
A maior parte da animada platéia desembolsou quase um salário mínimo por um bilhete de ingresso no Maracanã. Não é a geral do Flamengo que conferiu de perto a queima de fogos, amigo.
~*~
Outros dizem que a vaia é um puro exercício da democracia. Hoje é. Dez, doze anos antes, isso era coisa de baderneiro.
As voltas que o mundo dá, vá vendo.
Não careço de patuá – dizia João José de Jesus dos Santos, vulgo Tiquim. Com nome sacrossanto desse, de patuá não necessitava mesmo. Já o apelido dizia respeito ao seu porte, trisco-de-gente exemplar. A frase saía comumente em situações que o falante se encontrava xumbregado e todo empachado. Com pandu cheio, bom era desaconfronchegar: a mente ficava fuá, descontrolava-se na sebereba e obiadeira era o resultado certo. O zuretado raparigueiro tinha sempre como companhia Corisco, um cavalo que seu sogro lhe presenteara – meio a contragosto, já que o genro havia casado na igreja verde. O azogado animal logo cumpriu um desejo do sogro, deixando Tiquim caxingando pelo resto da vida. O monumental coice na canela foi dado quando o pobre homem caqueava o arreio no embeiço de fronte a tapera. Dizia que era coisa de terecô só pra não bater canela na suça. Trololó que estava, quis botar canga com um chute no animal, veja só a falta de sabença. E, todos sabemos, quem deve desarnar é o peão, não o potro. Mas sabença faltava ao Tiquim. Todavia, no final das contas, todo mundo reconhecia que o homem era dozento de fina fruita, reconhecido em qualquer biboca.
De longe as lágrimas do senhor eram imperceptíveis. Um cachorro de cor amarelada lhe acompanhava, ao lado, sem nenhuma necessidade de ter como guia aquele que o conduzia. Caminhavam com marchar firme, embora lento, parecendo saberem detalhadamente o caminho que percorriam. Ilusão: a tristeza estampada no olhar do senhor assim dizia, embora não compreendida pelo cão, feliz em seu andar soberbo. O homem pára e, com as mãos trêmulas, desata a coleira do animal. Com os movimentos da cauda acelerados, o cachorro ignora seu destino. Soluçando, o velho acena para o primeiro táxi que passa e, sem olhar para trás, parte aparentemente sem rumo.
E os sonhos de uma vida feliz se desmancham com um único despacho. Sem licença para qualificação profissional (por conta de ausência de dotação orçamentária), adeus cidade da garoa, adeus PUC, adeus mestrado.
Sentir ser a pêra podre na lata do lixo não é pior do que estar sujeito a desfaçatez imbecil e cruel dos números monetários estatais, generosos para alguns, sovinas para outros.
Depender de vontade política de alguns, idem.
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A linguagem aparentemente ferina é um subterfúgio para esconder o padecimento profundo que sinto. Só não sei bem a quem devo tanto. Talvez a mim mesmo.